Governo diz que pleitos de grevistas não serão atendidos

O governo não apresentou nenhuma proposta na primeira reunião realizada com os grevistas, na manhã desta terça-feira. No encontro, representantes da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condesef) e o comando de greve das cerca de 30 categorias paralisadas voltaram a apresentar ao secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, o pedido de correção das distorções salariais.

DÉBORA ÁLVARES E FELIPE TAU, Agência Estado

14 de agosto de 2012 | 14h06

Na prática, isso significa a equiparação de salários de servidores públicos de nível superior com o que é pago a cinco carreiras que tiveram um reajuste diferenciado com a Lei 12.277, de 2010. Com ela, engenheiros, arquitetos, geólogos, economistas e estatísticos passaram a ter um piso salarial de R$ 5.460,02 e um teto de R$ 10.209,50. Esse número atingiria 20 mil servidores ativos do Executivo Federal e representaria 78% de aumento, segundo a Condesef. O pedido de reajuste para os servidores de outros níveis é de 30%.

Um novo encontro com a Condesef foi marcado para sexta-feira, pela manhã, quando o governo pretende apresentar uma contraproposta. No entanto, o secretário-geral da entidade, que reúne 80% das categorias em greve, Josemilton Costa, já sabe que não terá suas reivindicações atendidas. "O governo não antecipou nada, mas o Sérgio (Mendonça) disse que as possibilidades deles estão distantes do nosso pedido". Após reunião de sexta-feira, a Condesef vai reunir a categoria para discutir os rumos da greve.

A determinação do governo de cortar o ponto dos servidores que não comparecerem ao trabalho, por conta da greve, não preocupa Costa. Para ele isso não afetará a paralisação. "Isso já havia sido decidido antes pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a greve se fortaleceu". Ainda nesta terça-feira, o secretário de Relações do Trabalho se reúne com representantes dos grevistas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Incra e com os técnicos administrativos e servidores da Fiocruz.

Neste momento, cerca de 200 manifestantes bloqueiam a entrada principal do Ministério do Planejamento e pretendem permanecer em vigília durante todo o dia. O acampamento dos grevistas, montado em frente à Catedral, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, deve reunir cerca de 10 mil pessoas até a noite. Está prevista para esta quarta-feira uma marcha de 15 mil servidores pela Esplanada dos Ministérios. A ideia é sair da Catedral e seguir em direção ao Palácio do Planalto.

Policiais federais

Cerca de 50 policias federais de São Paulo compareceram ao Hemocentro do Hospital das Clínicas na manhã desta terça-feira para doar sangue. O ato, organizado pelo Sindicato dos Servidores da Polícia Federal (Sindpolf-SP), faz parte de uma série de protestos sendo realizados pela categoria desde terça-feira passada, quando entrou em greve em todo o País.

A manifestação, de acordo com comunicado divulgado pelo sindicato, é um ato simbólico. "Mesmo em greve continuamos dando o sangue pelo Brasil", diz a nota. Pela legislação trabalhista, trabalhadores que doam sangue são dispensados do serviço no dia e não tem a falta descontada.

Os policiais querem chamar atenção para reivindicações de agentes, papiloscopistas e escrivães: reajuste salarial, reconhecimento de carreiras como sendo de nível superior e contratação de mais servidores. Operações-padrão nos aeroportos internacionais - revistas mais rigorosas das bagagens e passageiros - também têm sido empregada durante a greve.

Na capital paulista, a doação de sangue foi usada na sexta-feira passada por agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para faltar ao faltar ao trabalho e pedir melhores salários.

Tudo o que sabemos sobre:
Greveservidoresreunião

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.