Governo diz que ONU utilizou dados errados

O Instituto Brasileiro de PesquisaEconômica Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério doDesenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior contesta os dadosusados pelas Nações Unidas para compor o IDH do Brasil. Segundoo presidente do Ipea, Roberto Martins, o Pnud está usandoestatísticas incorretas, sobretudo para calcular a taxa média dematrícula nos três níveis de ensino (fundamental, médio esuperior). "A taxa está congelada em 80% desde 1997. Não existedivergência metodológica, é um equívoco", afirma Martins. Deacordo com ele, a taxa correta e que deveria estar sendoconsiderada é de 85,2%. "É totalmente inexplicável, porque sóexiste uma fonte das estatísticas, o Inep", diz ele,referindo-se ao Instituto Nacional de Estudos e PesquisasEducacionais. Caso essa taxa fosse considerada, o Brasil teria subidocinco posições no ranking em vez de duas e seria o 70º dos 173países. O IDH seria de 0,769. O presidente do Ipea avalia que,ao ignorar esse dado, o relatório deixa de refletir o principalavanço do Brasil nos últimos anos. "Na verdade, são osindicadores da área de educação que estão impulsionando aqualidade de vida", afirma Martins. Ele ressaltou que, ao nãousar a informação oficial do governo brasileiro, este avançoacaba não aparecendo.ControvérsiaO Ipea também contesta as taxas deanalfabetismo e de longevidade usadas no relatório. O Pnudtrabalha com uma taxa de analfabetismo de 14,8% ante a uma taxade 13,7% do Ipea. Quando se considera a esperança de vida aonascer, a diferença é menor (67,7 anos para o Pnud e 68,5 para oIpea).DiscussãoA divergência acabou se tornando tema de umadiscussão entre os representantes do Ipea e das Nações Unidasdurante o lançamento do relatório. O especialista emdesenvolvimento humano do Pnud no Brasil, José Carlos Libânio,se defendeu dizendo que todas as estatísticas usadas norelatório de Desenvolvimento Humano são ajustadas, a fim decriar um padrão único para todos os países. Por isso, aOrganização das Nações Unidas sempre utiliza a estatística maisrecente disponível em todos os países. Assim sendo, ele admitiu que, no caso das matrículas, foram usadas as taxas de 1999. Além disso, o dado passou por umtratamento estatístico, a fim de se tornar compatível com asinformações fornecidas por outros governos. "Sempre hádiscrepância entre o dado oficial do governo e a usado pelasagências das Nações Unidas", defendeu-se.O Ipea apresentou cálculos sobre a evolução do IDH entre1999 e 2000. Quando se analisam apenas os países com mais de 100 milhões de habitantes, o Brasil avançou oito posições, perdendo apenas para a China. "É muito significativo. Aliás, o Pnud deveria começar a trabalhar com rankings diferentes, organizando os países por população. É muito diferente fazer odesenvolvimento social nas ilhas Seichelles e no Brasil",afirma Martins. A versão em português do relatório está no sitehttp://www.undp.org.br

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