Governo dinamarquês pode demitir pastor. Ele negou Deus

?Deus abdicou.? A frase, além de causar um escândalo entre os fiéis, custou ao reverendo Thorkild Grosboell uma suspensão determinada por seus superiores. Mas como ministros da Igreja Luterana, na Dinamarca, são empregados do Estado, foi o governo que manteve a suspensão, abrindo caminho para sua demissão ou multa. Grosboell, um pastor da cidade de Taarbaek, uma cidade de 51.000 habitantes nos arredores de Copenhague, foi suspenso antes pela bispa de sua diocese, no dia 10 de junho, depois do sermão em que negou Deus publicamente.Hoje, o ministro da Justiça Lene Espersen, endossou a suspensão e disse que seu caso seria levado, um fato raríssimo, a um tribunal de disciplina do trabalho, consistindo de dois teólogos e um juiz na presidência, que decidirá se ele será demitido ou apenas multado.Espersen disse, em uma nota, que Grosboell ?causou danos à igreja do Estado... e não mostrou lealdade à igreja do Estado?. Na Dinamarca, 85% das pessoas pertencem à Igreja Luterana, embora apenas 5% freqüentem os cultos regularmente.O ministro tem estado sobre severa supervisão desde que foi suspenso, pela primeira vez, em maio de 2003, quando disse que ?não há Deus divino, não há vida eterna, não há ressurreição?. Grosboell retratou-se, depois, e sua suspensão foi cancelada.Mas ele acabou ganhando nova suspensão depois de dizer, num sermão de 16 de maior, que ?Deus abdicou em favor de seu filho, consequentemente em nosso favor. Por essa razão, não há mais uma garantia divina ou uma força interventora, há apenas o reino do bem (na terra) que é alcançado por nós e entre nós. Portanto, se decairmos, não haverá nada (depois)?.A bispa Lise-Lotte Rebel disse que o sermão de Grosboell era ?claramente incompatível com a fé da igreja do Estado? que ele falara de um modo ?claramente provocativo, confuso e ferino?.

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