Governo Dilma prevê crescimento de 5,9% em média até final de mandato

Na primeira reunião ministerial de Dilma Rousseff, titular da Fazenda, Guido Mantega, apresentou meta otimista e disse que País irá consolidar os avanços de Lula, mas determinou que seus colegas apresentem até fevereiro plano para corte de gastos

Renato Andrade, de O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2011 | 20h43

A equipe econômica traçou um cenário bastante otimista para os quatro anos do governo Dilma Rousseff. Pelas estimativas do Ministério da Fazenda, o País deve crescer, em média, 5,9% entre 2011 e 2014, superando o desempenho registrado nos últimos 16 anos. As projeções foram apresentadas ontem pelo ministro Guido Mantega, durante a primeira reunião ministerial do ano.

 

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"Durante os oito anos do governo Lula colocamos o País na rota do desenvolvimento e com isso o Brasil cresceu mais. No governo Dilma vamos consolidar esse desenvolvimento e colocá-lo em patamares mais elevados", disse Guido Mantega após o encontro.

 

O compromisso com o ajuste das contas públicas foi reforçado mais uma vez pelo ministro e cobrado pela presidente Dilma. "Temos que fazer um esforço de reduzir os gastos, uma racionalização das despesas", relatou Mantega. "Será um esforço duro dos ministérios que terá que ser levado a sério", acrescentou.

 

A recomendação da presidente Dilma, segundo palavras da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, é "fazer mais com menos". Os ministros que participaram do encontro se comprometeram a avaliar cuidadosamente onde poderão cortar despesas. Segundo Miriam, os colegas aderiram ao pedido com "entusiasmo".

 

O ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, foi rápido e ainda na reunião disse que já tinha o valor de quanto poderia cortar em sua pasta: dez centavos.

 

Os ministros terão até 4 de fevereiro para fazer a "lição de casa" e definir quais são os programas e projetos prioritários de suas pastas. A partir dessa data serão realizadas reuniões do Planejamento e da Fazenda com cada um dos ministérios para definir o tamanho exato do corte, disse Belchior.

 

Nas 29 páginas de sua apresentação, Mantega não indicou nenhuma projeção sobre o tamanho do corte que será feito no Orçamento Federal de 2011. Segundo a ministra do Planejamento, esse valor só será definido no início de fevereiro e, até lá, qualquer número divulgado deve ser tratado como "mera especulação".

 

Na apresentação feita aos colegas, Mantega trocou a expressão "ajuste fiscal" por um eufemismo: "consolidação fiscal". No entender do ministro, o ajuste "clássico" das contas públicas gera desemprego, recessão e redução dos investimentos. O que o governo Dilma fará é um "esforço de racionalização das despesas com aumento da eficiência do gasto público".

 

PIB forte. Pelos cálculos da Fazenda, a pior taxa de crescimento da economia brasileira durante o mandato de Dilma Rousseff será este ano, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 5%. Já em 2012, a estimativa é de uma expansão de 5,5%, indo para 6,5% nos anos de 2013 e 2014. Se as projeções estiverem corretas, a expansão média da economia no governo Dilma será superior ao registrado nas Eras Luiz Inácio Lula da Silva (4%) e Fernando Henrique Cardoso (2,6%).

 

O crescimento será seguido de uma inflação sob controle. Pelas estimativas, o IPCA, índice que baliza o sistema de metas de inflação do Banco Central, vai desacelerar para 5% este ano, depois de ter fechado 2010 com uma alta de 5,9%. Em 2012, o índice estará em 4,5%, no centro da meta que deve ser perseguida pelo BC.

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