Governo deveria debater pacote com Congresso, diz Garibaldi

Ele diz também que há preocupação em relação aos cortes do Orçamento para compensar fim da CPMF

CIDA FONTES, Agencia Estado

08 de janeiro de 2008 | 12h50

O presidente do Senado, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), criticou nesta terça-feira, 8,  o governo, em entrevista, afirmando que o Palácio do Planalto errou ao não submeter o pacote de aumento de impostos e de redução de despesas orçamentárias a uma discussão com os partidos oposicionistas e governistas. "O governo deveria ter chamado os líderes oposicionistas e os governistas e mostrar que não poderia cumprir sua palavra (de não aumentar impostos para compensar as perdas de arrecadação resultantes da extinção da CPMF)", declarou Garibaldi.      Veja Também:    Planalto apressa partilha de cargos para impedir derrubada de pacote    DEM recorre ao Supremo contra aumento do IOF   "Achei errado", acrescentou, "o governo não ter voltado à mesa de negociações para dizer que não poderia manter aquele compromisso (de não elevar a carga tributária). Não seria a primeira nem a última vez em que um compromisso seria desfeito. Mas teria que ser (desfeito) na base do diálogo e do entendimento." O presidente do Senado afirmou que "todos" os líderes governistas pensam dessa forma, e não apenas os oposicionistas.   "O governo chegou à conclusão de que teria de recorrer a aumento de impostos (para compensar a perda da CPMF). Se a oposição compreende é uma coisa. Agora, cortar (despesas do Orçamento) sem ninguém saber é outra", disse o senador.   "Tivemos poucos dias entre o que aconteceu com a CPMF (derrubada pelo Senado no dia 13 de dezembro passado) e o que aconteceu agora. Acho que o governo deveria ter refletido sobre tudo isso. O governo se deixou levar pelas festividades natalinas, pelo clima de ano-novo, pensou que todos nós iríamos festejar isso, inclusive no mês de janeiro todo", afirmou Garibaldi. (Cida Fontes)   Cortes 'na própria carne'   Garibaldi disse também que há uma preocupação muito grande no Congresso em relação aos cortes de despesas previstas na proposta de Orçamento. O senador, mostrando preocupação com possíveis cortes no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), disse que este "é um exemplo de como se cortar na própria carne", porque "é a menina dos olhos" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   "Ficamos preocupados, pois, se cortar no PAC, a porta estará aberta, e a tesoura estará afiada para se cortar em outros setores vitais", disse Garibaldi. Em seguida, mostrou cautela com as próprias declarações: "Mas é preferível aguardar", disse. "Estamos fazendo conjeturas. Não sabemos se o corte será linear, onde será cortado e se o PAC será mesmo cortado."   O senador disse estranhar declarações de representantes do governo, como a do líder governista no Senado, Romero Jucá (PMDB-RO), de que poderia haver cortes no PAC. "Isso é estranho", disse, "porque o presidente Lula era peremptório no sentido de que não seria cortado o PAC. Mas não podemos deixar de acreditar no líder do governo. O melhor é aguardar a proposta do Executivo, para que nós ofereçamos também a nossa proposta, não deixando que a tesoura aja livremente."   No entender de Garibaldi, "os cortes não podem ser de cima para baixo, porque há todo um orçamento dos Três Poderes sendo examinado." O senador previu que a oposição vai "colaborar" com o governo e observou: "Primeiro, teremos o problema do Orçamento do Poder Legislativo, mas nossa preocupação não se estende apenas ao Legislativo, vamos ver o que será cortado no Executivo. O Judiciário tem absoluta autonomia para ver as contas."

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