Governo deve falar pouco de juros e cortar gastos, diz Campos

O governo tem de falar pouco de juro e de câmbio e agir para reduzir os seus gastos e aumentar investimentos sem aventura ou irresponsabilidade fiscal. A afirmação é do governador eleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), ao comentar nesta sexta-feira em Recife a avaliação do governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB), para quem, sem redução de juros o ajuste fiscal do governo federal não será representativo.Campos concorda que "quanto menor o juro, menor o gasto", o que propicia mais empreendimentos na produção - e menos investimento no financeiro - o que leva ao crescimento econômico. Ele frisou, no entanto, que juro não se baixa por decreto nem por discurso. Por isso, defende que o governo federal melhore os seus gastos, melhore a gestão."O grande desafio é o equilíbrio dinâmico, que implica rigor no equilíbrio fiscal, mas com o Estado presente no que ele deve à sociedade", afirmou. "O Estado não vai na sociedade e busca 37% da riqueza que ela produz só para fazer equilíbrio fiscal, tem que dar a contrapartida em saúde, educação, moradia".Para o socialista e ex-ministro da Ciência e Tecnologia, o Estado precisa gastar menos no custeio e fazer mais investimento visando a retirar os gargalos de logística. "Infra-estrutura é importante para atrair investimento privado, dinheiro que alavanque mais recursos". Reforma tributáriaEduardo Campos defende uma reforma tributária em duas etapas. Uma, no curto prazo, dos ajustes mais imediatos, que possam desonerar a produção o quanto possível.Na segunda etapa, a mais longo prazo, teria de se mexer na estrutura como um todo, com simplificação e redução do número de tributos, na forma de redistribuição, no patrimônio, na renda, tudo sob o suporte de um pacto federativo."Isso ninguém faz em dois anos", afirmou. "É preciso mudanças que limitem a guerra fiscal e que possam reduzir a carga tributária sobre setores da produção ampliando a base".Para o novo governador, essa segunda etapa, de uma reforma tributária mais profunda, para um prazo de oito anos, por exemplo, tiraria o estresse do cotidiano, mas tem de começar a ser discutida já, aproveitando esse momento propício, em que todos falam da necessidade de uma reforma tributária.

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