Governo deve apurar atuação de Waldomiro, diz Thomaz Bastos

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse que é necessário que o governo faça uma investigação dos fatos do ex-subchefe da Assessoria Parlamentar da Presidência da República, Waldomiro Diniz, durante seu tempo no governo. "Imagino que o governo possa, por prudência, fazer um exame das questões que passaram por ele", afirmou Bastos. "Acredito que é necessário." O ministro disse que não sabe se essa medida está sendo adotada, mas acredita que isso ocorrerá. "Com todo este impacto, é de toda a conveniência que se faça a investigação no governo", sustentou. Ele evitou, no entanto, manifestar-se sobre a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para investigar o caso Waldomiro. "É uma questão de soberania do parlamento", afirmou. Para ele, o importante é que a Polícia Federal e o Ministério Público "estão fazendo a investigação mais cabal e mais ampla do caso".Perguntado se a investigação seria um pente fino sobre as operações de Waldomiro Diniz, Bastos disse que o delegado que está conduzindo as investigações "tem grande autonomia de vôo". O ministro negou que a Polícia Federal tivesse atrasado na execução da ordem de apreensão dos computadores na residência do ex-assessor do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, segundo críticas levantadas hoje na Câmara dos Deputados. Segundo Bastos, a PF tomou conhecimento do assunto no sábado e já agiu na segunda-feira. O intervalo de tempo foi necessário, segundo ele, para fazer o plano de ação, que teria surpreendido todas as pessoas envolvidas."A investigação tem que ser feita com a maior amplitude, segurança e rapidez possível, e não houve nenhum atraso", afirmou. O ministro explicou que o foco da investigação é o que está contido na fita que mostra Waldomiro negociando o pagamento de propina com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, assim como a sua forma de obtenção. Segundo ele, o fato de a fita só ter sido divulgada agora, embora tivesse sido gravada em 2002, também poderá ser investigada. "É princípio do Direito saber a quem se aproveita, e isso tem que ser investigado no inquérito policial", afirmou.

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