Governo deve apoiar Temer para presidência da Câmara

Preocupado com a divisão interna no PMDB e o crescimento do grupo político do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o governo pretende influir nas articulações para viabilizar a candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara em 2009. O ministro de Relações Institucionais, José Múcio, não esconde de seus interlocutores a preocupação com o esquema montado na Câmara pela dupla Eduardo Cunha e Leonardo Picciani, ambos do PMDB fluminense, que controla postos estratégicos na Casa.O temor com os "transversos", como vêm sendo chamados parlamentares cuja atuação não é partidária e se baseia em interesses próprios, já chegou ao Senado. Ontem, a bancada de senadores do PT pediu a José Múcio que entre na articulação para garantir uma eleição equilibrada para as mesas diretoras das duas Casas no próximo ano. Os petistas não querem ser surpreendidos com uma eventual candidatura de Cunha para o comando da Câmara. O próprio ministro deu exemplos do domínio que os dois peemedebistas do Rio vêm instalando. Lembrou que Picciani é relator das principais matérias em tramitação na Câmara: a mudança de regras de tramitação de Medidas Provisórias e a reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que é presidida por Eduardo Cunha.A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), não esconde sua preocupação e trabalha para assegurar o acordo feito no ano passado, segundo o qual o sucessor do petista Arlindo Chinaglia (SP) seria Michel Temer, que já exerceu dois mandatos à frente da Câmara. O apoio a Michel Temer significa dar ao PT a presidência do Senado, fazendo a alternância de poder. Mas os próprios petistas não sabem como vai reagir o PMDB do Senado, que detém a maior bancada. "Seria legítima a alternância, mesmo porque estarão em jogo os dois últimos anos do governo de Lula", ponderou Ideli.A bancada petista quer eleger para a presidência do Senado Tião Viana (PT-AC), que tem boa relação com todos os partidos e já deu mostra de seriedade quando assumiu interinamente o posto no lugar do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Os articuladores do governo prevêem que os dois últimos anos do mandato de Lula serão importantes do ponto de vista político. Como a base aliada não está unida em relação à sucessão presidencial, será preciso muita negociação. Ao mesmo tempo, o PT ainda não tem um candidato natural ao Planalto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.