Governo descarta volta de Beira-Mar para Brasília

O Ministério da Justiça praticamente encerrou as discussões sobre a transferência do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e foi levado para o presídio Bangu I, no Rio de Janeiro, na sexta-feira. Em nota oficial, citando decisões do juizado da Vara de Execuções do Distrito Federal, o ministério confirma que Beira-Mar deverá ficar no Rio ou em Minas Gerais, onde também tem condenação.A Justiça chegou a analisar a possibilidade de Beira-Mar ficar no presídio da Papuda, mas descartou a intenção pelo fato de o preso ser de altíssima periculosidade. "Analisando a questão, o juiz Eduardo Henrique Rosas - da Vara de Execuções - concluiu pela impossibilidade de manter o condenado em um dos estabelecimentos penitenciários do Distrito Federal", diz a nota do Ministério da Justiça, ressaltando que o próprio juiz considerou que Beira-Mar não fora julgado em Brasília.Na sentença, segundo a nota do Ministério, o juiz declarou que é absolutamente impossível um Estado receber um condenado para cumprir penas impostas pela Justiça do Rio e Minas Gerais. "Não há condição de segurança para tanto em qualquer presídio do DF", observa a nota.Beira-Mar foi preso na Colômbia, no final do ano passado e encaminhado diretamente para a carceragem da Polícia Federal, em Brasília. Não foi o primeiro caso de personalidade famosa do mundo do crime a ser transferido para Brasília. Antes dele, foram transferidos os matadores do líder seringueiro Chico Mendes, o fazendeiro Darly Alves da Silva e seu filho, Darci Alves Pereira; o assaltante Marcelo Borelli - que quase morreu dentro da carceragem -, grande parte dos 40 policiais e ex-policiais ligados ao deputado cassado Hildebrando Pascoal, além de traficantes internacionais.Com capacidade para 40 vagas, a carceragem da PF no Distrito Federal só poderia, teoricamente, abrigar presos sem condenação ou à disposição do Supremo Tribunal Federal (STF). Neste caso estava incluída a cantora mexicana Glória Trevi, que aguardava a extradição, mas que hoje está em um hospital de Brasília com o filho de dois meses.

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