Governo desacredita Lina e oposição lamenta agressividade

Tasso afirma que ex-secretária da Receita foi hostilizada no Senado e Salgado diz que ela mentiu

Renata Veríssimo, AE

18 de agosto de 2009 | 15h21

Previsivelmente, oposição e governo adotaram posturas opostas em relação ao depoimento de Lina Vieira, nesta terça-feira, 18, à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Para Tasso Jereissati (PSDB-CE), governistas foram hostis e agressivos com a ex-secretária da Receita Federal. Já o governo desacreditou Lina: Mercadante insinuou que problemas pessoais a fizeram dar declarações que teria se encontrado com Dilma. Wellington Salgado (PMDB-MG) foi mais duro e disse que Lina está mentindo.

 

Tasso lembrou que Dilma já esteve envolvida em outros episódios nos últimos meses, como o da criação de um dossiê sobre gastos do governo Fernando Henrique Cardoso e das reuniões com o compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em nome da Varig. O senador tucano disse que em todos esses momentos Dilma negou categoricamente essas informações, mas que depois voltou atrás. Finalizou defendendo que as investigações sobre o episódio sejam aprofundadas.

 

Do lado governista, Aloizio Mercadante (PT-SP) insinuou que Lina teria informado ao jornal Folha de S.Paulo sobre o encontro com Dilma pelo fato dela ter sido demitida do cargo de secretária da Receita Federal.

 

O senador petista argumentou que considerava estranho que dois jornalistas já soubessem de uma informação sobre o encontro em que apenas as duas (Lina e Dilma) teriam participado e que o assunto só foi publicado "estranhamente" depois da saída de Lina do governo.

 

'Lina mentiu'

 

O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) disse ter saído convencido do depoimento da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), de que a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, mentiu, ao afirmar que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, se encontrou com ela para pedir pressa no processo da Receita que envolvia o filho do senador José Sarney.

 

"Como é que alguém tem um encontro e não sabe o dia e a hora, não anota na agenda?", questionou. Segundo Salgado, um simples login para saber o horário em que Lina fez a consulta sobre o processo do filho do senador, mostraria a data e a hora. "Estou do lado da ministra Dilma", afirmou o senador peemedebista.

 

Salgado disse que no que depender dele não será votado um requerimento de convocação para que a ministra Dilma também deponha na comissão. "Na minha convicção, esse encontro jamais aconteceu", afirmou Salgado. Ao ser questionado por que Lina teria, então, inventado esse encontro, Salgado respondeu que não pode julgar, porque não consegue entender as mulheres.

 

Motivos eleitorais

 

Não se referindo diretamente a Lina Vieira, Renan Calheiros (PMDB-AL) fez ressalvas quanto aos fatos que motivaram o depoimento da ex-secretária da Receita Federal na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Para o peemedebista, a reunião tinha como objetivo "impor ao presidente Lula e à ministra Dilma um desgaste artificial", em uma referência clara a disputa presidencial de 2010.

 

Renan abordou um mesmo tópico que Tasso Jereissati: o vazamento de um dossiê com os gastos do governo FHC. Porém o viés do governista foi outro. Enquanto Tasso afirmou que Dilma negou informações publicada na mídia à época e depois voltou atrás, Renan garante que não há nenhuma irregularidade no caso.

 

Abuso da maioria

 

Pedro Simon (PMDB-RS) também fez sua ponderações sobre o depoimento de Lina à CCJ. Para o senador do Rio Grande do Sul, Romero Jucá (PMDB-RR) estava retardando os trabalhos da comissão para que o governo  tenha tempo de defir uma estratégia a ser usada no episódio Lina.

 

Completando suas criticas à base governista, Simon disse que ela esta abusando da maioria de detém na CCJ. "Estão fazendo essa onda para não ouvir essa senhora", disse Simon, referindo-se ao depoimento de Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal.

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