Governo decide não prender Bové

O camponês francês José Bové irritou toda acúpula do governo federal ao participar de manifestações em Porto Alegre, principalmentequando ajudou a arrancar soja transgênica da propriedade da empresa Monsanto.A Polícia Federal chegou a realizar um plano deprisão do camponês, com base na Lei 6.815. A idéia era prender Bové nesta segunda-feira, por volta de 20 horas, depois de novo protesto que estava sendo planejado pelo Movimento dos Sem-Terra(MST). Bové seria preso depois da refeição, caso estivesse acompanhado de poucas pessoas.A prisão de Bové só não foi concretizada porque o governo se decidiu por uma maneira maispacífica, a de forçar uma saída legal do camponês.A Polícia Federal e a AgênciaBrasileira de Inteligência (Abin) monitoraram o francês nos útimos dias no Brasil.No início da noite desta segunda-feira, o Ministério da Justiça informou ao presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a decisão de forçar a saída de Bové do Brasil. Até o início da noite, o governo não tinha divulgado os detalhes da reunião.A operação para prender Bové foi abortada depois que o governo avaliou as possíveis repercussões negativas. Um dos motivos que levaram o governo a desistir da idéia foi a possível reação do Movimento dos Sem-Terra (MST) a qualquer ação da Polícia Federal.O governo avaliou que uma possível prisão de Bové teria repercussão em todo o mundo e, por outro lado, também não queria passar uma imagem de fraqueza e omissão diante de um estrangeiro que vem protestar no Brasil.Na ótica do governo, dar um tempo para que Bové saia do País é uma forma de não demonstrararbitrariedade. O governo acredita que possa demonstrar à populaçãoque Bové é quem está sendo intransigente. Pelas informações da Polícia Federal, Bové teriaentrado no Brasil com visto de turista, o que jamais permitiria que o francês participassede protestos. Na França, Bové cria 250 cabras numa área inóspita de Larzac, onde é produzido queijo Roquefort.

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