Governo decide "encostar ACM na parede"

Com duas semanas de atraso, o governo desencadeou uma reação em cadeia aos ataques do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), numa operação articulada com líderes dos partidos que apóiam o presidente Fernando Henrique Cardoso. Escalado nesta segunda-feira para anunciar a ofensiva, o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), defendeu a cassação do senador baiano e afirmou que serão demitidos os indicados por ele que hoje ocupam cargos federais, citando o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio. À noite, foi a vez do secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, divulgar nota à imprensa em resposta às acusações de ACM, classificadas como "vagas, injuriosas e não fundamentadas". Ao sustentar que foi do governo a iniciativa de adotar providências contra irregularidades no Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER) e da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudam), o ministro Aloysio Nunes fez também a defesa dos ministros Eliseu Padilha (Transportes), Francisco Dornelles (Trabalho) e Andrea Matarazzo (Comunicação de Governo). Eles foram acusados por ACM de usar recursos públicos com fins políticos. Sobre o suposto "dossiê Cayman", Aloysio lembrou que o próprio senador já declarou ter sido convencido da falsidade do documento. O ministro encerra a nota afirmando que Fernando Henrique não vai comentar as referências pessoais feitas a ele por ACM. "Tanto as laudatórias como as infamantes, por considerar despiciendo (desprezível)", ilustra o texto. Enquanto Aloysio Nunes divulgava a nota, o presidente começava a receber, no Palácio da Alvorada, integrantes da cúpula do PSDB, entre eles o governador cearense Tasso Jereissati. Como pano de fundo estava o debate sobre o fortalecimento do partido e o nome de seu novo presidente, que deverá ser um tucano paulista ligado a Mário Covas. Mas as conversas voltaram-se principalmente para a estratégia para evitar o agravamento da crise política. Fernando Henrique pretende repetir o encontro com representantes do PMDB e do PFL. À tarde, em almoço na casa do líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), a direção tucana decidiu declarar guerra a ACM."Temos que matá-lo (politicamente) antes que ele nos mate", resumiu um dos participantes da reunião. "Vamos encostá-lo na parede e não deixá-lo respirar", disse outro tucano, resumindo a estratégia que ficou clara com as declarações de Arthur Virgílio. Nesta terça-feira, outros tucanos devem fazer discursos contra ACM nos plenários da Câmara e do Senado. "Quem não faz gol, leva; o governo vai se defender para dizer que não é leniente com a corrupção", disse.

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