Governo de PE quer intermediar conflito em Tracunhaém

O secretário estadual da Agricultura, Gabriel Maciel, reuniu-se hoje com representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) e se dispôs a funcionar como mediador para evitar um conflito no Engenho Prado, município de Tracunhaém, na zona da mata. "Daqui a gente só sai para o cemitério", garantiu Marilene Ferreira, coordenadora de um dos três acampamentos do Prado. Nesta semana, o Tribunal de Justiça manteve a reintegração de posse da área, sem direito a indenização, e os trabalhadores decidiram resistir a um despejo. Eles ocuparam o engenho há mais de seis anos e vivem da lavoura que abastece feiras de cinco municípios da região. O secretário disse ser viável uma solução pacífica e prometeu lutar nesse sentido, procurando negociar com os trabalhadores e com o grupo empresarial João Santos, proprietário da Usina Santa Teresa, à qual pertence o engenho de 2,5 mil hectares. Ele afirmou que o mandado da reintegração ainda não foi expedido pelo juiz de Nazaré da Mata, Carlos Alberto Maranhão de Oliveira, depois da decisão do Tribunal. O advogado da CPT, Bruno Ribeiro, considerou positiva a reunião. "O governo prometeu tentar aliviar a tensão na área e foi reforçada nossa expectativa de que os trabalhadores não serão retirados de madrugada e com violência", afirmou ele, referindo-se ao despejo ocorrido há um mês, numa megaoperação da Polícia Militar. Durante a opração da PM, 180 moradias dos trabalhadores foram destruídas por tratores, assim como igrejas e escolas dos acampamentos, em cumprimento à reintegração determinada pelo juiz de Nazaré da Mata.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.