Governo de PE começa a endurecer com policiais grevistas

Vestindo camisas brancas, carregando balões brancos e cantando o Hino Nacional e a música "Pra não dizer que não falei de flores", cerca de 500 policiais civis em greve fizeram passeata hoje à tarde pelas ruas centrais do Recife pedindo a reabertura das negociações com o governo do Estado. Enquanto a manifestação ocorria, o governo dava sua resposta pedindo ao Tribunal de Justiça autorização para suspender o repasse feito mensalmente ao sindicato da categoria (Sinpol), no valor de R$ 99 mil, relativos ao desconto em folha da contribuição sindical.O governo quer usar esse dinheiro do Sindicato como amortização do pagamento da multa diária de R$ 20 mil determinada pelo Tribunal, em 8 de julho, quando a greve foi considerada ilegal. Se os grevistas insistirem em manter a paralisação, a Justiça pode até vir a prender o presidente do Sinpol por crime de desobediência. Demissões e exclusões também podem ocorrer. O vice-presidente do Sinpol, Claudio Marinho, garantiu que os policiais não se intimidam com ameaças ou punição. "Estamos fortes e unidos, queremos apenas nossos direitos", disse ele, adiantando que se a Justiça autorizar o bloqueio da contribuição sindical, eles vão recorrer.Os policiais entraram em greve há 36 dias por aumento salarial de 28% e reajuste do salário-base para R$ 180,00. O governo estadual ofereceu 10% de aumento salarial, rejeitados pela categoria, e de acordo com o secretário de Administração, Maurício Romão, este é o máximo que pode ser oferecido. Os grevistas não se conformam, querem o mesmo aumento concedido neste ano aos bombeiros e policiais militares (28%) e ressaltam que o salário-base deve ser equivalente a um salário mínimo como manda a Constituição.Acompanhados por dois carros de som, os policiais soltaram os balões a cerca de 200 metros do Palácio do Governo e encerraram a caminhada com um ato público na Praça do Marco Zero no Bairro do Recife Antigo. Antes da passeata cerca de 30 grevistas doaram sangue na tentativa de conquistar a solidariedade da população.

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