Governo de Minas vai divulgar dados primários de auditoria em gestões tucanas

Fernando Pimentel (PT) fará divulgação apenas dos primeiros dados levantados por meio da auditoria, que devem incluir principalmente a situação das finanças do governo

Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2015 | 19h58

BELO HORIZONTE - O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), deve divulgar hoje, 5, os primeiros dados da auditoria realizada nas gestões do PSDB no Executivo mineiro. A análise da situação do governo foi determinada pelo petista já no dia de sua posse e abrange contratos, convênios, programas e ações dos últimos 12 anos, período em que o Estado esteve sob o comando do grupo político do senador tucano Aécio Neves (MG).


Pimentel fará a divulgação apenas dos primeiros dados levantados por meio da auditoria, que devem incluir principalmente a situação das finanças do governo quando o petista assumiu o cargo. O Orçamento do Estado aprovado pela Assembleia Legislativa no fim de março prevê um déficit de R$ 7,3 bilhões nas contas do Estado em 2015, com receita estimada de R$ 68,3 bilhões contra uma previsão de despesas de R$ 75,6 bilhões. O orçamento enviado ao Legislativo pelo governo no ano passado previa equilíbrio, com receita e despesa de R$ 72,4 bilhões, mas não foi votado. A peça elaborada pela nova gestão foi aprovada por unanimidade, com votos inclusive da oposição.


Para evitar um caráter muito politizado da auditoria, Pimentel deve viajar para os Estados Unidos após a divulgação dos primeiros dados para participar de evento da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) com investidores estrangeiros. Pimentel era amigo de Aécio e eles chegaram a se aliar para a eleição de Marcio Lacerda (PSB) para a prefeitura da capital em 2008, quando o petista era prefeito de Belo Horizonte e o tucano, governador de Minas. Os dois se distanciaram em 2012, quando Lacerda rompeu com o PT para ser reeleito com apoio de Aécio.

Xerife

 Caberá aos secretários de Estado a apresentação ao público dos demais dados apurados na auditoria relativos a cada pasta. Os trabalhos foram comandados pelo controlador-geral do Estado, Mário Spinelli, ex-controlador-geral do município de São Paulo, que "importou" para Minas Gerais inclusive o software que permitiu à prefeitura paulistana descobrir a atuação de uma máfia na área de fiscalização suspeita de desvio de cerca de R$ 500 milhões na gestão de Gilberto Kassab (PSD).


Segundo o líder do governo na Assembleia , deputado estadual Durval Ângelo (PT), as constatações dos auditores são "graves". "Não sei de tudo que foi apurado, mas sei que foram encontrados problemas de gestão e também irregularidades Em alguns casos, a linha que separa os dois é tênue", contou o líder no governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Durval Ângelo (PT). Ele deu como exemplo a retenção pelo governo no ano passado de aproximadamente R$ 800 milhões em desembolsos já empenhados.


"A auditoria também desmascara a propaganda do choque de gestão. Apesar do marketing do déficit zero, o governo estava há cinco anos praticamente operando com orçamento negativo. No ano passado o déficit foi de R$ 7 bilhões e, em 2013, de R$ 3 bilhões", afirmou o petista. "E a dívida do Estado que era de R$ 15 bilhões saltou para R$ 90 bilhões", acrescentou. O comando do Estado pelo grupo político de Aécio teve quando o tucano foi eleito para seu primeiro mandato no governo, em 2003, continuou com o também tucano Antonio Anastasia e foi encerrado com Alberto Pinto Coelho (PP), que assumiu o Executivo quando seu antecessor renunciou para disputar a cadeira que ocupa hoje no Senado.

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