Governo de Minas vai ajudar a esclarecer morte de JK

Após pedido da Comissão da Verdade de São Paulo, governo do Estado se dispôs a colaborar com investigações; a suspeita é de que JK teria sido assassinado

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2013 | 19h03

A pedido da Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo, o governo de Minas Gerais vai colaborar na investigação que tenta esclarecer as circunstâncias que envolveram a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek em um acidente de carro em agosto de 1976.

O presidente da entidade paulistana, vereador Gilberto Natalini, pediu nesta segunda-feira, 23, que sejam realizadas novas perícias nos restos mortais do motorista Geraldo Ribeiro, que também morreu no acidente. A comissão contesta a versão oficial de que o ex-presidente foi vítima de um acidente e sustenta que o que houve foi um atentado contra a vida de JK.

A suspeita de Natalini é que um fragmento metálico encontrado no crânio de Ribeiro, quando a ossada dele foi exumada em 1996, seja um pedação de uma bala de arma de fogo. A perícia da época apontou que se tratava de um pedaço do caixão de Ribeiro.

"Pelo raio X que a gente viu, o material é um metal esquisito, não parece prego de caixão", afirma Natalini.

Após o encontro desta segunda-feira, o governo de Minas se comprometeu a localizar em seus arquivos os dados referentes a essa perícia de 1996 e fazer novos exames no material metálico. Paralelamente, a Comissão da Verdade paulistana irá estudar que procedimentos legais precisam ser adotados para pedir a exumação do corpo de Ribeiro.

Segundo Natalini, há muitas questões sobre o episódio que ainda não foram explicadas. "O relato que a gente tem é que o corpo do presidente Juscelino Kubitschek estava no chão do necrotério de Resende (no Rio), coberto com um lençol, praticamente exposto para quem entrasse. Já o corpo do motorista estava num caixão lacrado dentro da capela. Por quê? O que tinha o cadáver do motorista que tinha que ser lacrado? Talvez tivesse um orifício de bala no crânio", diz.

Também participou da reunião desta segunda-feira, o ex-secretário de Juscelino Kubitschek, Serafim Jardim, que há mais de 15 anos tenta comprovar a tese de que o ex-presidente foi alvo de um atentado.

O acidente que matou JK e seu motorista aconteceu na Rodovia Presidente Dutra, próximo a Resende, cidade carioca que faz divisa com São Paulo e Minas. O Opala do ex-presidente foi atingido, por trás, por um ônibus e bateu de frente com uma carreta.

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