Governo de Minas demite servidores da Cidade Administrativa

No mesmo dia em que prefeitos mineiros comemoravam a entrega de carros por parte do Executivo, copeiras, recepcionistas, garçons e vigilantes eram avisados sobre as dispensas

Marcelo Portela, de O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2011 | 16h47

BELO HORIZONTE - A Cidade Administrativa, sede do governo estadual de Minas, viveu um dia de contrastes na terça-feira, 1º. Enquanto na área em frente ao Palácio Tiradentes, onde fica o gabinete do governador Antonio Anastasia (PSDB), prefeitos comemoravam a entrega de carros por parte do Executivo, nos corredores funcionários como copeiras, recepcionistas, garçons e vigilantes eram avisados de que estavam dispensados.

 

Nesta quarta-feira, 2, com a Assembleia Legislativa fechada devido ao feriado de finados, parlamentares de oposição ao governador usaram o Twitter para criticar as dispensas e cobrar explicações. "Governo demite servidores humildes na Brasilinha do Aécio. E o déficit zero, o choque gestão e o PIB chinês? Marketing?", disparou o deputado estadual Sávio Souza Cruz (PMDB), em referência ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), que inaugurou a Cidade Administrativa dias antes de renunciar ao cargo de governador do Estado para disputar as eleições do ano passado.

 

O número de trabalhadores dispensados não foi confirmado. Uma das copeiras que entrou na lista disse que são "entre 100 e 300" pessoas. "Ninguém avisou nada", lamentou. Em nota, o governo afirmou que, 19 meses após a inauguração do espaço, está sendo feita uma "revisão de vários modelos de prestação de serviço, de forma a racionalizar e se adequar à necessidade de atendimento de servidores e visitantes".

 

Segundo a nota, essa "racionalização" é uma "diretriz básica" do projeto da nova sede do Executivo e será uma "ação constante, pois, com o passar do tempo, as demandas vão sofrendo modificações". A nota exemplifica a "racionalização" com 41 cargos de copeiras de 12 horas, que passarão a seis horas. Os trabalhadores não são concursados. Eles são contratados pela MGS - Minas Gerais Administração e Serviços S.A. a quem, segundo o governo, cabe "definir o quadro de pessoal necessário para a prestação do serviço". A empresa é pública, de capital fechado e vinculada à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e tem como função a para prestação de diversos serviços com dispensa de licitação.

 

Cobranças. As dispensas passaram quase despercebidas pelos representantes de 377 municípios que recebiam carros para o programa Saúde em Casa, resultado de um investimento de R$ 9,13 milhões com recursos dos governos federal e estadual. Mas foi suficiente para os opositores voltarem a criticar nomeações de aliados ao governo para cargos comissionados.

 

Em janeiro, Anastasia editou lei delegada que cria, até 2014, 1.314 cargos comissionados, aumento de 28,85% no número de postos comissionados de chefia e direção então existentes. Todos os novos postos ocupados representam um acréscimo de R$ 54 milhões na folha de pagamento do Estado. "Por que Anastasia não exonera os tucanos contratados aos milhares por lei delegada?", indagou o deputado estadual Rogério Correia (PT), também pelo Twitter. "Quando voltarem os trabalhos (na Assembleia),vou fazer requerimento para um estudo de redução de gastos com pessoal nomeado. Indicam montes de aliados e depois demitem garçons", afirmou o parlamentar ao Estado.

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