Governo de AL reforça segurança para evitar grevistas

Na sexta, policiais atearam fogo na porta da sede do governo e interromperam o desfile do 7 de Setembro

Ricardo Rodrigues, do Estadão

10 de setembro de 2007 | 13h40

O Palácio República dos Palmares , em Maceió, e os prédios dos principais órgãos da Secretaria Estadual de Defesa Social amanheceram cercados por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). O policiamento foi reforçado, por ordem do governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), para evitar novos protestos com ânimos exaltados, como os que ocorreram na semana passada, quando os policiais atearam fogo na porta da sede do governo e interromperam o desfile do 7 de Setembro.  A segurança também foi reforçada no Instituto Médico Legal (IML) e no Instituto de Identificação, que fica na mesma rua da sede do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindipol), no Centro de Maceió. Os policiais civis estão em greve há mais de trinta dias. Eles ganham em torno de R$ 1.500 e reivindicam equipagação salarial com os peritos criminais, que recebem R$ 3 mil, mas as negociações com o governo estão suspensas.   A decisão do governo de colocar a PM para garantir o funcionamento das instituições e o patrimônio público gerou revolta entre os agentes da Polícia Civil. "Os ânimos estão se acirrando. Se o governo não retomar o diálogo, nós não podemos prever o que pode acontecer", afirmou José Carlos dos Santos, diretor do Sindipol. Ele também reclamou da suspensão do porte de arma, alertando para o aumento da violência.  "Enquanto os bandidos se armam, para atacar a população indefesa, o governador manda desarmar a polícia. Segurança pública é coisa série, não é brincadeira", acrescentou o sindicalista. José Carlos dos Santos disse ainda que o governador do Estado, "ao invés de mandar investigar os manifestantes que participaram dos últimos protestos e ameaçá-los com punição, deveria mandar investigar as ações do crime organizado, que continua fazendo vítimas em Alagoas".  Greve continua No final da manhã, em assembléia geral, os policiais civis decidiram continuar em greve, mas evitar confrontos e buscar a retomada das negociações com o governo. "Não vai haver confronto. Isto eu garanto", disse o presidente do Sindipol, Carlos Jorge. "A PM e a Civil são co-irmãs, mesmo diante do tratamento diferenciado dado pelo governo. A PM tive aumento aprovado, a Civil não. É um erro tratar as polícias de forma diferenciada", acrescentou Carlos Jorge.  "Nós temos respeito pela Militar e vice-versa. Tenho certeza disto. Queremos negociar com o governo do Estado. Nunca houve negociação por parte do governo. O que houve foi enrolação", reclamou Carlos Jorge, que é contra atos exagerados. "Temos que ter cabeça diante deste governo que aí está. É um absurdo, eles denunciam que pegaram um rombo de R$ 400 milhões e não responsabilizaram ninguém até agora. É um dos absurdos", disse ainda.  O Sindpol se reuniu duas vezes com a comissão de negociação do governo do Estado, coordenada pelo médico e ex-sindicalista Júlio Bandeira. De acordo com os policiais, não foram apresentadas planilhas, nem uma contraproposta concreta em nenhuma das duas reuniões, o que gerou o clima de revolta da categoria. Bandeira disse que o Estado estuda a retomadas das negociações diretamente com a base, sem a participação dos sindicalistas.

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