Governo conta com votos do PSDB para manter vetos presidenciais

O governo pediu apoio a lideranças tucanas a fim de que não fossem aprovadas novas despesas no momento em que tenta fechar as contas; o objetivo continua sendo o de aprovar um Orçamento com superávit de 0,7% do PIB para o próximo ano

RICARDO BRITO, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2015 | 19h29

Brasília - O governo Dilma Rousseff conta com votos até do PSDB para manter os vetos presidenciais na sessão do Congresso na noite desta terça-feira, 22. O governo pediu apoio a lideranças tucanas a fim de que não fossem aprovadas novas despesas no momento em que tenta fechar as contas. O objetivo continua sendo o de aprovar um Orçamento com superávit de 0,7% do PIB para o próximo ano.

Na reunião de líderes partidários do Senado, onde ficou definido que serão levados à votação os 32 vetos presidenciais, o líder tucano da Casa, Cássio Cunha Lima (PSDB) afirmou aos presentes, conforme apurou a reportagem, que vai orientar a bancada a manter todos os vetos, exceto o que barrou o reajuste dos servidores do Poder Judiciário. Sobre este último, ele vai liberar a bancada.

Até o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, entrou na articulação e telefonou hoje para o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), a fim de marcar um encontro com a bancada tucana para discutir os vetos. Nunes Ferreira, contudo, declinou do convite, mas na bancada do PSDB do Senado, além dele, pelo menos o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e o presidente do partido, senador Aécio Neves (MG), devem votar contra o reajuste dos servidores do Judiciário, ou seja, pela manutenção do veto presidencial.

O PSDB avalia reservadamente que, se a presidente Dilma perder o mandato, o governo que assumirá - seja comandado pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB), seja pelos próprios tucanos, numa eventual vitória em eleição-tampão - vai precisar de um forte esforço para melhorar as contas públicas. E a derrubada dos vetos agora pode complicar ainda mais a situação fiscal brasileira.

Para derrubar qualquer um dos 32 vetos da pauta são necessários os votos de, pelo menos, 257 deputados e 41 senadores conjuntamente. O governo teme o impacto fiscal da derrubada dos vetos que giraria em torno de R$ 127,8 bilhões até 2019, segundo cálculos do próprio governo.

Líderes governistas passaram o dia de ontem fechando contas. E mantiveram hoje o esforço para calcular os apoios que teria na votação dos vetos. A avaliação final é de que pode ter votos suficientes, pelo menos no Senado, para manter as decisões de Dilma, em especial o veto ao reajuste de 59,5% para os servidores do Poder Judiciário entre 2015 e 2019, cujo impacto seria de R$ 36,2 bilhões.

A intenção inicial da base era atuar para esvaziar, mais uma vez, a sessão do Congresso. Mas decidiram, após fazer o mapeamento, realizar a votação.

"Estamos fazendo um esforço grande para realizar a sessão e manter os vetos", disse o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS). "No Senado a gente percebe nitidamente que eles têm noção do momento, da responsabilidade de uma votação como essa", completou.

Cunha. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que a sessão que vai apreciar os vetos presidenciais vai acontecer às 20 horas, quando ele entregará o comando do Plenário ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Nesta tarde, o líder do PMDB da Câmara, Leonardo Picciani (RJ), informou que a presidente Dilma Rousseff pediu a realização hoje à noite da sessão para apreciar vetos. "Vai ser votado. Ela pediu", disse o peemedebista. Anteriormente, o governo se articulava para esvaziar a sessão e evitar uma derrota.

Questionado se recebeu algum pedido do governo para que a sessão realmente acontecesse hoje, Cunha afirmou que a iniciativa não é de sua responsabilidade. "Eu não tenho o que fazer. Eu conversei com Renan, ele vai fazer a sessão. Vou entregar o plenário às 20 horas."

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