Governo consegue libertar mais 250 escravos no PA

O grupo móvel de combate ao trabalho escravo do Ministério do Trabalho conseguiu ontem mais uma vitória no Pará. Os fiscais libertaram 250 trabalhadores na fazenda Vale do Rio Fresco, de propriedade de José Lucena de Barros. Nas nove operações realizadaseste ano já foram libertados 689 trabalhadores. O pagamento dos direitos trabalhistas, sem contar com as indenizações devidas aos últimos 250 trabalhadores que ainda estão sendo calculadas, soma R$ 462 mil.Satisfeito com o resultado da operação, o ministro do trabalho, Jaques Wagner, se reuniu com os fiscais e garantiu que o dinheiro destinado no orçamento para o combate ao trabalho escravo, da ordem de R$ 1,5milhão, será mantido, apesar dos cortes determinados pela área econômica. A secretária de Inspeção do Trabalho, Ruth Beatriz Vilela, solicitou ao ministro a criação de um grupo especial da Polícia Federalpara exercer o papel de polícia judiciária. A polícia judiciária pode fazer prisões em flagrante e, dessa forma, contribuir para inibir esse tipo de crime.Ruth Vilela também solicitou a Jaques Wagner empenho para a suspensão dos financiamentos públicos aos proprietários de terra que mantêmtrabalhadores na condição análoga a de escravos. Segundo ela, sem a suspensão das linhas de crédito, será impossível erradicar o trabalho escravo no País.A secretária sustentou que o governo tem base legal para suspender os financiamentos no Estatuto da Terra, que prevê o uso social da propriedade. O Ministério do Trabalho já dispõe de uma lista de pessoas que receberam empréstimos da extinta Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) e mantinham trabalhadores escravos em suas terras. O ministro do Trabalho marcou para o dia 10 de março uma reunião com os procuradores do trabalho e no dia 12 com o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Francisco Fausto. O objetivo é acelerar os processos na justiça e garantir punição rápida e severa para quempratica o trabalho escravo.

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