Governo confirma participação de Dilma na Cúpula do Clima

Planalto temia que Marina também participasse de evento em Nova York, mas candidata desistiu em razão da campanha eleitoral

Altamiro Silva Junior, correspondente, e Rafael Moraes Moura, enviado especial, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2014 | 15h46

Nova York - Menos de 24 horas antes da abertura da Cúpula do Clima, o governo brasileiro confirmou na manhã desta segunda-feira, 22, que a presidente Dilma Rousseff vai participar do fórum das Nações Unidas que reunirá chefes de Estado do mundo inteiro para anunciar ações ambiciosas e iniciativas de impacto na área de mudanças climáticas. A participação de Dilma na cúpula foi antecipada pelo Broadcast no dia 22 de agosto.

Dilma embarca para Nova York nesta segunda, por volta das 18h, após cumprir agenda de campanha em Ribeirão das Neves (MG), onde fará caminhada. O Planalto temeu uma eventual participação da candidata Marina Silva (PSB) na cúpula e a repetição do susto dos Jogos Olímpicos de 2012, quando a ambientalista surgiu em plena cerimônia de abertura. Marina foi convidada para participar da cúpula, mas desistiu de ir por considerar que isso comprometeria três dias de campanha.

Já a campanha de Dilma cogitou a possibilidade de a petista aproveitar a passagem pelos EUA para se encontrar com a comunidade brasileira que vive em Nova York, mas a ideia foi abandonada.

O reforço da agenda ambiental da presidente e candidata à reeleição é mais uma contra-ofensiva à candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, que tem acusado a presidente de não dar prioridade para o desmatamento na Floresta Amazônica e criticado "o retrocesso na agenda de desenvolvimento sustentável" do governo da petista.

"Isso vai ser relevante. Eu vou (pra cúpula)", disse Dilma ao Broadcast Político, após participar da série "Estadão Entrevistas", no último dia 8 de setembro. Ontem, no entanto, a presidente disse que poderia não chegar a tempo, porque vai aos Estados Unidos para "um bate e volta".

Para participar da cúpula, Dilma decidiu antecipar em quatro horas o embarque aos Estados Unidos, que já tem confirmada a presença do presidente Barack Obama e será aberta pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. O ator Leonardo DiCaprio, nomeado "mensageiro da paz" das Nações Unidas para questões climáticas, também estará na abertura.

A cúpula desta terça traz à tona uma série de discussões sobre clima que deverão viabilizar um acordo a ser anunciado em Paris em 2015. O discurso de Dilma na cúpula, assim como o de outros chefes de estado, deve durar entre quatro e cinco minutos.

Segundo o Broadcast Político apurou, a fala da presidente na cúpula vai se concentrar nos investimentos do governo brasileiro em fontes limpas de energia, no combate ao desmatamento da Floresta Amazônica e na redução nas emissões de gás carbônico.

Na abertura da Assembleia Geral da ONU, Dilma deverá fazer, na quarta-feira, um discurso centrado no avanço das políticas sociais durante a sua gestão e a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e destacará que, apesar da crise econômica mundial, o Brasil gerou emprego, manteve a renda de seus trabalhadores e não cortou direitos.

Comitiva. Nesta viagem aos Estados Unidos, Dilma optou por uma comitiva mais enxuta. Viajam junto com a presidente os ministros Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) e Marcelo Néri (Secretaria de Assuntos Estratégicos).

Dilma já recebeu convites para reuniões bilaterais com outros chefes de Estado mas até agora não foi acertado nenhuma agenda, segundo informações do governo brasileiro.

Na terça-feira, a previsão é de que a presidente deixe a sede da ONU logo após o discurso na Cúpula do Clima, que deve ser feito pelo manhã, e retorne ao hotel onde está hospedada para fazer os ajustes finais na fala que vai abrir a 69ª Assembleia Geral, na quarta-feira. Também está prevista uma coletiva à imprensa, à tarde. À noite, Dilma pode participar de um jantar com Ban Ki-Moon, nesta terça-feira, na sede da ONU.

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