Governo confia em aprovar mudanças na CLT, diz Inocêncio

O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira, afirmou no final desta manhã que está mantida a urgência do projeto que flexibiliza a Consolidação das Leis do Trabalho e que o governo está confiante na vitória. Segundo o líder, que esteve em reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso, alguns outros líderes e o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, a oposição deve atingir no máximo 200 votos e o governo terá mais do que isso, na votação do projeto, prevista para esta tarde. "Depois da sessão tumultuada de ontem, com cenas de radicalismo, acreditamos que hoje será mais tranqüilo, apenas com a votação do projeto", disse o Inocêncio. Ele afirmou que um dos fatores que deve ajudar na aprovação do projeto é uma pesquisa encomendada pelo governo, que mostra que mais de 50% dos brasileiros apóiam as mudanças da CLT. "Vamos vencer não em nome dos partidos da base, mas em nome do fortalecimento da modernização das relações trabalhistas no País", afirmou. Inocêncio disse também que apesar de ser justa a reivindicação de verbas orçamentárias por parte dos parlamentares, este não é o momento para isso. "Pedir verbas para votar projeto tão importante é algo desonesto". O líder do PFL na Câmara informou também que a reunião-almoço de líderes dos partidos aliados, na Granja do Torto, para definir a pauta de votações no Congresso, foi cancelada em razão da morte do assessor especial da Presidência da República, Vilmar Farias.CautelaO líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), foi cauteloso sobre a previsão do resultado da votação do projeto que flexibiliza a legislação trabalhista. "Tivemos ontem um retrato de votação com 218 votos contrários ao projeto. Temos que trabalhar em cima desse números, conversando com os líderes e com os deputados até a hora da votação, para reverter esse quadro", afirmou. Madeira criticou os ataques feitos pela oposição ao projeto que altera a CLT. "Eles agiram de forma desonesta intelectualmente, maximizando um projeto simples, criando um clima difícil de votação na Câmara", afirmou Madeira, dizendo que dois pontos foram cruciais para evitar a votação do projeto nesta madrugada: o adiantado da hora, que acabou reduzindo o quórum de deputados no plenário, e a mudança de posição do PTB, que no primeiro momento apoiava o projeto, mas que na hora do encaminhamendo da votação, através de líder, Roberto Jefferson (PTB-RJ), afirmou que não seria o momento político adequado para sua análise. "Sem dúvida, a mudança do PTB nos surpreendeu", admitiu o ministro. Sobre a postura do deputado Paulo Paim (PT-RS), que rasgou a Constituição em plenário, Madeira a considerou lamentável. "Acho que a Constituição Federal tem que ser objeto de respeito para todos nós, e rasgá-la não é um bom exemplo para ninguém", afirmou. O líder disse ainda que o presidente Fernando Henrique não quis tratar na reunião de hoje da proposta de correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física. Pessoalmente Madeira defende que o assunto seja debatido sob a ótica da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Agencia Estado,

28 de novembro de 2001 | 12h12

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