Governo concederá área a sem-terra que invadiram porto

Uma comissão de técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) devem se reunir na próxima terça-feira, em Maceió, com lideranças dos três movimentos de trabalhadores rurais sem-terra a fim de formalizar a posse da área do complexo Agrisa, que tem cerca de 20 mil hectares e é reivindicado por cerca de 12 mil famílias. A reunião, que acontece na sede da superintendência do Incra em Alagoas, foi agendada em Brasília, durante a ocupação do Porto de Maceió, na última quinta-feira. Os cerca de cinco mil sem-terra - que bloquearam o porto durante todo o dia - só desocuparam a área na noite da última quinta, depois que a direção nacional do Incra prometeu ajuizar a ação de desapropriação de mais um lote da Usina Agrisa, de 10 mil hectares, localizado na região da zona da mata do Estado, entre os municípios de Flexeiras e Joaquim Gomes. A administração do porto calculou em mais de US$ 15 mil os prejuízos com a ação dos sem-terra. Histórico A desapropriação da Agrisa é uma reivindicação dos quatro movimentos: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL), Movimento para Libertação dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MLST) e Comissão Pastoral da Terra (CPT). Ao todo, o complexo tem uma área de 23 mil hectares, distribuídos em 28 propriedades e já possui cinco assentamentos desde 2002: Serrana, Bebidas, Papuã, Caldeirões e Santa Luzia do Riachão, num total de cinco mil hectares. O restante está divido em dois blocos de 17 mil hectares. A ocupação da área começou há cinco anos. Nesta sexta-feira, mais de 3,5 mil famílias estão acampadas no local. Com a desapropriação, a Incra espera assentar 1,6 mil famílias. O complexo representa a maior concentração de áreas contíguas destinadas à reforma agrária no Estado de Alagoas. ProcessoDe início, serão ajuizados 22 imóveis correspondentes a cerca de 10 mil hectares. Seis outros imóveis ainda dependem de ações judiciais e outros dois, onde estão localizados os parques industriais, ainda dependem de questões técnicas.

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