Governo concede indenização a 13 anistiados políticos

Caravana da Anistia se reuniu na CNBB para avaliar indenização a religiosos e militantes ligados à Igreja

Christiane Samarco, Agência Estado

26 de setembro de 2008 | 20h43

Um ex-pastor metodista norte-americano, que foi seqüestrado, preso e torturado pela ditadura militar antes de ser expulso do Brasil por decreto do presidente Ernesto Geisel, foi beneficiado nesta sexta-feira, 26, em julgamento da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. A Caravana da Anistia passou o dia reunida na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para apreciar 13 processos de anistia política com indenização a religiosos e militantes ligados à Igreja que sofreram perseguição e tortura durante o regime militar.   Um dos primeiros a ter seu requerimento julgado foi Frederick Birten Morris, o pastor Fred, que chegou ao Brasil em 1964 para desenvolver atividades pastorais na Igreja Metodista e acabou expulso do País dez anos mais tarde, depois de ceder sua residência para reuniões políticas contra a ditadura militar. Segundo a Comissão de Anistia, o pastor, que é também um crítico da prática de tortura no governo Bush, ficou proibido de entrar no Brasil até 18 de agosto de 1988.   Nesta sexta-feira, 26, no entanto, compareceu ao julgamento que lhe rendeu não apenas um pedido de perdão da Igreja Metodista, por ter lhe negado o apoio que acabou recebendo da Igreja Católica durante a ditadura brasileira. A comissão aprovou uma indenização de R$ 285 mil ao pastor Fred, além de uma espécie de pensão vitalícia no valor mensal de R$ 2 mil.   A lista dos anistiados políticos contemplados com reparação financeira pelo governo brasileiro inclui também o primeiro ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos do governo Lula, Nilmário Miranda. O ex-deputado petista, que começou a militância política aos 15 anos, sempre ligado à Igreja Católica, viveu sete anos na clandestinidade, foi torturado e chegou a passar três anos e dois meses preso. A comissão decidiu indenizá-lo com a quantia equivalente a 240 salários mínimos (pouco mais de R$ 99 mil) que serão pagos de uma única vez.

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