Governo começa a preencher as vagas no segundo escalão

O segundo escalão do Ministério da Saúde, disputado com ardor por aliados do governo, começou a ser preenchido nesta sexta-feira, 30. O ex-ministro Agenor Souza foi indicado pelo governo para exercer o cargo de diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e agora terá de ser sabatinado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado para poder tomar posse do cargo, vago há cinco meses. Funcionário do ministério há anos, Agenor foi alçado a secretário-executivo quando o PMDB, com Saraiva Felipe, tomou posse do ministério. Depois da saída de Felipe, Agenor assumiu o cargo. Mas por muito tempo disse ser apenas "ministro interino."Na Anvisa, outro cargo de diretor continua vago, aguardando também uma indicação do governo. A longa espera não é inédita. No primeiro ano do governo Lula, cargos na diretoria da agência demoraram a ser ocupados por conta da negociação política. A demora não passou despercebida e logo veio uma enxurrada de críticas por se usar os cargos da agência para abrigar apadrinhados políticos, em vez de técnicos. A mesma crítica foi feita com a Funasa. Não apenas na coordenação central, mas nos postos espalhados pelo País. ´Máquina de fazer votos´Com a chegada do PMDB à Saúde, a Funasa foi assumida por Paulo Lustosa, que nunca escondeu a sua preferência por assumir a direção da Anatel. E, mesmo na direção da Funasa, manteve os esforços para se transferir de agência. Com o tempo, se conformou. Mas não foi difícil tal adaptação. Com mudanças feitas pelo ex-ministro Humberto Costa, a Funasa passou a ter minguados poderes. Os recursos, porém, mantiveram-se polpudos, um atrativo e tanto para quem quer poder e consolação. Como o próprio Lustosa definiu, uma "máquina de fazer votos." Com um orçamento de R$ 1,5 bilhão para este ano, a fundação tem como atribuição cuidar do saneamento - sempre uma ótima forma de fazer aliados na população - e da saúde indígena. Além de consideráveis, os recursos podem ser usados com uma boa dose de "flexibilidade", sobretudo na área de saúde indígena. Como não há um quadro suficiente de funcionários, a fundação sempre se vale de convênios, cuja prestação de contas nem sempre é fácil de ser realizada. E é justamente por ter tantos atributos que PMDB não quer perder o controle da fundação. Vários nomes estão no páreo. O mais forte é o do segundo homem de Lustosa, Francisco Danilo Forte. Embora tenha muitos aliados no Congresso, sobretudo das regiões Norte e Nordeste, a indicação de Forte é vista com horror por comunidades indígenas, que associam sua imagem a uma série de problemas enfrentada nos últimos anos. Outro nome do PMDB é Oscar Berro, secretário de Duque de Caxias. A bancada goiana também já apresentou o nome do ex-senador Maguito Vilela. Certo de que manterá o controle da Funasa, o PMDB dedicou R$ 69 milhões em emendas ao Orçamento da União para a fundação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.