Governo começa a demolir Complexo do Carandiru

O governo paulista começou, no final da manhã de hoje, a demolir parte do Complexo do Carandiru onde será construído o Parque da Juventude, com mais de 55 mil metros quadrados. A construção foi dividida em três fases, sendo que as duas primeiras devem ficar prontas até o final do ano, segundo o governador Geraldo Alckmin (PSDB). As duas etapas iniciais da obra, que começaram hoje, devem consumir R$ 27,8 milhões. As fases um e dois da construção vão ser destinadas, respectivamente, ao lazer e cultura. Segundo Alckmin, a primeira etapa vai ser composta de dez quadras esportivas, pistas de skate, cooper e ciclismo. A segunda parte do parque vai preservar a área verde que abriga uma reserva da Mata Atlântica e que, segundo o governador, é habitat de 32 espécies de aves nativas. "Faremos uma área contemplativa e cultural", disse ele, acrescentando que terão espaços para eventos culturais com capacidade para até 10 mil pessoas.Casa de DetençãoA terceira fase de construção do Parque da Juventude não tem data para começar, pois está ligada à Casa de Detenção, que ainda não foi totalmente desativada. Dos 7.470 presos que viviam nos sete pavilhões, restam ainda 1.805 divididos entre os pavilhões 7 e 9, segundo o governo paulista. Já os pavilhões 2, 6 e 8 estão totalmente desocupados. Os pavilhões 4 e 5 abrigam uma quantidade inferior a 50 presos, segundo o governo paulista.Alckmin, que anteriormente havia prometido a desativação total da Detenção até 31 de março, não quis dar prazo para o término da retirada de presos. "Eu sou, por natureza, responsável, então sou cauteloso", afirmou, sem especificar a data da desativação total dos pavilhões. "Mas acredito que até o final do ano não vai haver mais nenhum preso lá."A implosão da Casa de Detenção ainda está sendo avaliada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Segundo Alckmin, há intenção de aproveitar alguns pavilhões para abrigar unidades educacionais dirigidas aos jovens. "O parque não será apenas voltado ao lazer, mas também terá o papel de inclusão social", disse. "Mais do que o fim do inferno, queremos o paraíso."EducaçãoA definição das unidades educacionais que deverão ser construídas no local será feita, segundo o governador, junto com a comunidade. "Vamos fazer audiências públicas para saber quais são as principais necessidades", disse ele. A construção do Parque da Juventude, explicou o governador, não vai acabar totalmente com o Complexo do Carandiru.Segundo ele, serão mantidas no local a Penitenciária do Estado, com 2.500 presos, e a Penitenciária Feminina, que hoje abriga 800 detentas. Serão desativados o hospital penitenciário, que será transferido para o Centro de Observação Criminológica, que passará a funcionar na Penitenciária de Tremembé.O governador fez questão de acompanhar o início da demolição do Carandiru. Ele assistiu a derrubada de um dos muros do esqueleto do prédio em que funcionaria o Carandiru 2. Alckmin percorreu a pé a área que abrigará a primeira fase do parque. ConvênioDurante o início da demolição do Carandiru, o secretário de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, anunciou que na próxima segunda-feira o governo de São Paulo assina um convênio com o Ministério da Justiça que prevê o repasse de R$ 70 milhões da União para a construção de cerca de 4 mil vagas para detentos. O secretário também anunciou o início da transferência de 2.160 presos, já condenados e que estão em distritos e cadeias da Secretaria de Segurança Pública, para penitenciárias do Estado. "Até o dia 20 de abril todos os presos condenados pela Justiça serão retirados dos distritos policiais e transferidos para penitenciárias", garantiu Furukawa. Ele afirmou que a Secretaria de Segurança abriga 29.600 detentos. "A intenção é diminuir a superlotação e até acabar com as carceragens nos distritos." O secretário reconheceu, no entanto, que até o final do mandato de Alckmin não será possível acabar com a superlotação das cadeias.

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