Governo cogita afastar Lacerda da Abin até fim da investigação

Afirmação é de fontes do Congresso; reportagem de 'Veja' acusa agência de grampear ministro do STF e senador

Cida Fontes, de O Estado de S. Paulo,

01 de setembro de 2008 | 18h19

Independentemente das medidas a serem anunciadas ainda nesta segunda-feira, 1º, pelo  presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, avisou que tomou duas providências: autorizou a realização de uma sindicância interna para apurar a responsabilidade da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no grampo e solicitou à Polícia Federal a abertura de inquérito. A idéia do presidente Lula, segundo fontes do Congresso, é afastar temporariamente o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, até que as investigações sejam concluídas.  Lula e ministros discutiram nesta tarde o episódio da escuta telefônica ilegal envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) em reunião da coordenação de governo. Reportagem da revista Veja acusa a Abin de grampear Mendes, ministros de Lula, políticos do governo e da oposição, com base em informações de um servidor anônimo da agência. A revista trouxe um diálogo entre Mendes e Demóstenes. Por meio de seu porta-voz, o STF informou que o conselho de ministros "decidiu aguardar as providências exigidas pela gravidade dos fatos".  Veja Também:Entenda as acusações de envolvimento da Abin com gramposSTF espera providências sobre grampos pela 'gravidade dos fatos'Lula tomará medidas sobre grampo ainda nesta segundaAbin tem divisões e é 'monstro' sem controle, avaliam políticosAbin diz que abrirá sindicância para apurar grampos 'Lula terá que tomar providências', diz Garibaldi Grampeado, Demóstenes exige medidas de Lula  Na conversa com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e com os senadores Tião Viana (PT-AC) e Demóstenes Torres, no Planalto, Lula reafirmou sua confiança em Lacerda, mas não escondeu sua preocupação com o fato de a prática de escutas telefônicas ter sido recorrente em seu governo "O presidente disse que a situação é extremamente grave e que o grampo vem acontecendo sistematicamente", afirmou Tião Viana. "Ele afirmou que há um descompasso, que vai localizar esse descompasso e tomar medidas duras", prosseguiu. Depois da reunião da coordenação de governo, Lula prometeu comunicar aos senadores as medidas do governo. O general Jorge Felix, a quem a Abin é subordinada, afirmou que vem trabalhando para que a agência não saia de suas atribuições. Uma delas, o impedimento de fazer escuta telefônica. Além de Jorge Felix, participaram da reunião no gabinete de Lula o vice-presidente José Alencar e o ministro de Relações Institucionais, José Múcio. O ministro da Justiça, Tarso Genro, chegou quase ao final do encontro. Os senadores, por sua vez, prometeram acelerar a votação de projeto que trata sobre grampo, de autoria do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Preocupados com os rumores de que o grampo teria sido feito nos gabinetes do Senado, os parlamentares querem que isso também seja investigado. O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, afirmou que a Casa tem uma central de telefone fechada, de fibra ótica, que acusa eventuais ruídos nas ligações. Ou seja, a central teria identificado a ocorrência de escutas ilegais o que, segundo ele, não aconteceu.

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