Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Governo, casal de marqueteiros e Odebrecht formavam 'triângulo financeiro', diz Herman

Para relator, 'o trabalho de Santana à chapa vencedora contou com aportes de recursos da Odebrecht'

Isadora Peron, Breno Pires, Leonêncio Nossa, Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2017 | 12h25

O ministro Herman Benjamin, relator das ações que pedem a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou na sessão desta sexta-feira, 9, que o PT, o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura e a Odebrecht formaram um “triângulo financeiro” nas eleições de 2014.

Em seu voto, o relator lembrou que o codinome de Santana na planilha de propina da empreiteira era “Feira”.  Para ele, não há dúvidas de que "o trabalho de Santana à chapa vencedora contou com aportes de recursos da Odebrecht".

"Por um lado, as campanhas do partido podiam contar com a excelência da empresa do seu João Santana e da senhora Mônica Moura, que, por sua vez, contavam com a segurança de receber os milionários valores de seus contratos pela Odebrecht, a qual por fim mantinha as portas e acesso aos gabinetes mais elevados do governo inteiramente livres", disse.

Segundo Herman, com o início da Operação Lava Jato, porém, o esquema de corrupção “entrou em colapso” e parte dos valores que deveria ser pago ao casal acabou não ocorrendo. "A rigor, eles levaram calote", disse.

O relator afirmou ainda que, em seu depoimento, Mônica Moura firmou que os pagamentos foram acertados com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Herman ressaltou que Mantega não era o responsável pela parte financeira da campanha.

Ele também voltou a afirmar que havia “confusão absoluta”, um verdadeiro “abraço de siameses”, entre o dinheiro de caixa um, caixa dois e até de caixa três usado na campanha. 

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