Governo Cabral maquia as execuções no Rio, acusa Molon

Candidato do PT critica política de segurança na segunda sabatina do Grupo Estado na ABI

Luciana Nunes Leal e Adriana Chiarini, O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2008 | 00h00

O candidato do PT a prefeito do Rio, deputado estadual Alessandro Molon, na segunda das sabatinas do Grupo Estado com postulantes à prefeitura carioca, criticou duramente ontem a política de segurança do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), acusando o governo de "maquiar execuções" cometidas pela polícia. Ex-aliado eleitoral do governador, um dos maiores entusiastas do governo do presidente (petista) Luiz Inácio Lula da Silva e que tem petistas em sua administração, Molon prometeu montar um "gabinete integrado para articular forças estaduais, municipais e federais" para enfrentar o crime. Uma das suas funções, prevista no Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), seria a análise dos crimes para orientar a ação da Guarda Municipal."A política de segurança é equivocada, não tem produzido resultados", afirmou. "Os números têm mostrado. É uma política que mata, mas não oferece segurança a ninguém. Os autos de resistência são muitas vezes usados para maquiar execuções." Em 2007, primeiro ano do governo Cabral, houve 1.330 registros de mortos pela polícia em supostos confrontos, 25,11% mais que os 1.063 do ano anterior. O governo estadual alega que todos os mortos nesses choques eram criminosos que resistiram à prisão, mas nega acesso aos autos, alegando sigilo. Parentes e testemunhas têm denunciado supostos assassinatos de cidadãos, alguns sem antecedentes, por policiais.Para Molon, o pedido feito por Cabral ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que as Forças Armadas sejam empregadas durante as eleições no Rio é "o reconhecimento do fracasso da política de segurança estadual". Molon declarou-se radicalmente contrário ao uso das Forças Armadas em ações de segurança pública, defendido pelo governador.Em contraposição ao escândalo do mensalão, que abalou a imagem do PT em 2005, o candidato anunciou que, se for prefeito, criará uma ouvidoria municipal e enviará ao Ministério Público toda denúncia de corrupção e desvio de recursos na administração municipal. Molon defendeu um dos motes de sua campanha, o orgulho de ser petista, e afirmou que o PT superou o desgaste causado pelas denúncias que envolveram altos dirigentes do partido e ministros do governo Lula."Tenho orgulho de ser PT, sim. Fiquei bastante abalado pela crise de 2005. Tenho certeza de que o PT é maior que os erros cometidos por dirigentes ou por militantes", disse.Na abertura da sabatina, Molon falou dos pontos principais de seu programa de governo, centrado na idéia de "fazer do Rio uma cidade segura para todos", com melhorias no transporte, na saúde e na educação. Na área de transporte público, Molon citou a implementação do sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), formado por trens de superfície, a adoção do bilhete único, nos moldes daquele utilizado em São Paulo, e a abertura de linhas hidroviárias. O candidato não soube, no entanto, calcular os custos dos projetos. A ampliação do Programa Saúde da Família, em parceria com o governo federal, é o ponto principal do seu plano para a área. A sabatina foi mediada pelo diretor do Grupo Estado no Rio, Marcelo Beraba, e teve a participação dos jornalistas Irany Tereza e Wilson Tosta. Molon respondeu também a perguntas de internautas e convidados. As sabatinas no Rio acontecem na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e são transmitidas via internet pela TV Estadão, das 11h às 13h. Na próxima semana, a partir de segunda-feira, serão sabatinados Eduardo Paes (PMDB), Fernando Gabeira (PV), Solange Amaral (DEM), Chico Alencar (PSOL) e Jandira Feghali (PC do B). Em São Paulo, do dia 1º de setembro ao dia 5, serão sabatinados Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Gilberto Kassab (DEM), Paulo Maluf (PP) e Soninha Francine (PPS). Ivan Valente (PSOL) será sabatinado no dia 8.

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