Governo Bush reafirma importância do Brasil como parceiro

Impossibilitado pela crise diplomáticano Conselho de Segurança das Nações Unidas de realizar a viagemque planejara fazer nesta quinta-feira a Brasília, para uma reunião semestralde consultas políticas entre o Brasil e os Estados Unidos, o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Marc Grossman,convidou os correspondentes de jornais brasileiros em Washingtonpara uma entrevista e transmitiu a mensagem que havia preparadopara o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."O Brasil é importante para os Estados Unidos, é um parceiro-chave no hemisfério e em todas as coisas que estamos fazendo ao redordo mundo", afirmou o diplomata.O desejo proclamado pelo presidente Lula de ver o Brasil assumir posição de liderança na região preocupa Washington? "Isso não nos incomoda", disse Grossman. "Na verdade, achamosque isso é uma boa coisa e algo que apoiamos", afirmou ele, depois de registrar a satisfação da administração Bush com o trabalho conjunto que os dois países vêm realizando no "grupode amigos" da Venezuela, criado por iniciativa do líder brasileiro, e com a recente visita do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, a Brasília."O Brasil já é um líder regional, éum país grande e um parceiro essencial para os EUA", continuou ele. "Sempre procuramos respeitar a importância do Brasil na região, e esta é a razão pela qual o presidente Bush apressou-sea convidar o presidente Lula (para vir) a Washington, em dezembro passado.Grossman confirmou o desejo de Bush de ter o encontro que combinou com Lula em dezembro passado. "Ainda não há data, masvemos o encontro (dos dois presidentes) com interesse e estoucerto de que ele acontecerá", disse. O assunto deverá serretomado quando o diplomata visitar Brasília, o que pretendefazer "o mais breve possível".Vistas à luz das dificuldades que Washington vem tendo paragarantir o apoio do México e do Chile para sua proposta deresolução sobre o Iraque, no Conselho de Segurança, asdeclarações de Grossman poderiam ser interpretadas como umaexpressão do desejo americano de cultivar amigos num momento desolidão internacional dos EUA.Mais do que isso, porém, apreocupação de Grossman de falar ao Brasil é parte da estratégia de engajamento e diálogo com o governo Lula que a diplomaciaamericana adotou no ano passado, quando se convenceu de que o líder da esquerda assumiria democraticamente o poder emBrasília.É uma estratégia que a alta hierarquia do Departamentode Estado considera até agora bem-sucedida e na qual persistirá, como indicou nesta quarta-feira Grossman e tem reiterado o diretor de planejamentopolítico, Richard Haass, um assessor-chave do secretário ColinPowell, em conversas com pessoas com que se aconselha sobre asrelações dos EUA com a região.Ao falar sobre a preocupação dos EUA com o terrorismo no pós-11 desetembro de 2001, Grossman informou que recentemente representantes doBrasil, dos EUA, da Argentina e de outros países tiveram umencontro para discutir questões de segurança na região da tríplicefronteira Brasil-Argentina-Paraguai."Embora não exista indício da existência de célulaoperacional da Al-Qaeda, é uma área que precisa ser mantida em observação", afirmou. O diplomata acrescentou que os EUA recentemente liberaram "um pouco de dinheiro" para atividadesde monitoramento da área.Ele informou também que a controvérsia que envolve a AES e o BNDES é um assunto de interesse do governo dos EUA, porque dizrespeito a uma empresa americana "e nós defendemos as empresasamericanas da mesma forma que o governo brasileiro defende osinteresses das empresas brasileiras", disse. Mas disse que nãoestava informado a respeito e explicou que o tema está sendotratado pela embaixadora americana em Brasília, Donna Hrinak.

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