REUTERS/Adriano Machado/Elza Fiuza/Agência Brasil/ROMÉRIO CUNHA/VPR
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Governo Bolsonaro tem, em média, uma baixa de militar por mês; veja quem já saiu

General Maynard Santa Rosa é o último nome a integrar lista de queimados no fogo cruzado entre alas militar e "olavista" de funcionários públicos

João Ker, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2019 | 15h37
Atualizado 11 de novembro de 2019 | 09h49

Com a demissão do general Maynard Santa Rosa da Secretaria-Geral da Presidência, o governo de Jair Bolsonaro perde não um, mas quatro funcionários públicos do seu núcleo militar. De acordo com publicação no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 11, outros três militares e um ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) pediram demissão da pasta. São eles os generais Ilídio Gaspar Filho, secretário de ações estratégicas, e Lauro Luís Pires da Silva, secretário especial adjunto; o assessor especial Walter Félix Cardoso Júnior, bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras; e o secretário de Planejamento Estratégico, Wilson Roberto Trezza, ex-diretor geral da Abin.

Estes são apenas os últimos em uma lista de exonerações, rebaixamentos e saídas causados por desentendimentos pelo fogo cruzado entre a ala militar e os seguidores de Olavo de Carvalho. Abaixo, confira os outros 10 militares que já foram exonerados ou rebaixados pelo governo Bolsonaro:

Gal. Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo

O primeiro ministro do núcleo militar a cair foi o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido do ministério da Secretaria de Governo após atritos com Olavo de Carvalho e o vereador Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente. Quem assumiu o cargo foi o também general de Exército, Luiz Eduardo Ramos.

Gal. Franklimberg de Freitas, ex-presidente da Funai 

A pressão da bancada ruralista por terras também derrubou o general Framklimberg de Freitas do comando da Fundação Nacional do Índio (Funai), menos de seis meses após ter assumido o cargo. Em entrevista ao Estado, ele afirmou que, na administração atual, “o que menos sobra é o foco no índio” e que “a Funai praticamente não tem conhecimento de nada” sobre as demarcações de terra, negociadas diretamente em Brasília. 

Gal. Juarez Aparecido de Paula Cunha, ex-presidente dos Correios

O general Juarez Aparecido de Paula Cunha deixou os Correios após ser acusado de “agir como sindicalista” pelo presidente da República. A declaração de Bolsonaro veio após o militar ter ido ao Congresso e criticado publicamente os planos de o Governo privatizar a empresa. “Quem vai pagar essa conta? Esse alguém será o Estado brasileiro ou o cidadão brasileiro que paga imposto”, disse à época. 

O episódio marcou a terceira demissão de um militar do governo em menos de uma semana.

Cel. Ricardo Roquetti, ex-diretor de programa da Secretaria Executiva do MEC

Antes de Weintraub assumir o Ministério da Educação, a ala “olavista” já havia retirado o primeiro militar da pasta, com a exoneração do coronel Ricardo Roquetti, demitido na mesma leva de Luiz Antonio Tozzi, em março. Roquetti, que é ex-aluno de Olavo de Carvalho, foi acusado pelo próprio como responsável pela carta enviada às escolas, que pedia a filmagem de crianças cantando o Hino Nacional. 

Ten. Cel. Claudio Titericz, ex-diretor de programa da Secretaria-Executiva do MEC

Mais uma exoneração que veio com o fogo cruzado entre a ala “olavista”, militares e ex-alunos do ex-ministro Vélez. 

Cap. Eduardo Miranda Freire de Melo, ex-secretário-executivo do MEC

Capitão de corveta da Marinha brasileira, Eduardo Miranda Freire de Melo também foi exonerado na mesma leva em que Claudio Titericz e Ricardo Roquetti por ligações ao grupo de viés ideológico dentro do ministério.

Gal. João Carlos Jesus Corrêa, ex-presidente do Incra

Anunciado em fevereiro para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o general João Carlos Jesus Corrêa foi exonerado em outubro, por pressão exercida pela bancada ruralista. Seu desempenho no órgão não agradou ao secretário de Assuntos Fundiários, Luiz Antônio Nabhan Garcia, que é ligado a grupos ruralistas e achou “tímida” a operação que gerou 25 mil novos títulos de propriedades de terra entregues pelo Instituto

Em julho, o presidente Bolsonaro já havia declarado durante café da manhã com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) sua lealdade à bancada ruralista: “Esse governo é de vocês”. Com a demissão do general Corrêa, o coronel Marco Antonio dos Santos também saiu do Incra, não antes de afirmar que o órgão estava tomada por pessoas com interesses “não exatamente republicanos”, dentre eles o próprio Nabhan. 

Gal. Floriano Peixoto, de ministro a chefe dos Correios

Com a exoneração de Cunha dos Correios, a estatal passou para o domínio do general Floriano Peixoto que, para assumir o cargo, foi rebaixado do seu posto de ministro da Secretaria Geral da Presidência. "Presidir os Correios me enche de satisfação, pelo grau de confiança do presidente", declarou o general à época.

Gal. Roberto Severo Ramos, ex-secretário executivo da SGPR

Exonerado em 21 de junho do cargo de Secretário-Executivo da Secretaria-geral da Presidência da República, o general Roberto Severo Ramos chegou a ir para a Procuradoria-Geral da República, sob Augusto Aras. O novo PGR indiciou Ramos como Assessor Especial para Assuntos Estratégicos, mas ficou na posição apenas entre 26 de setembro e 4 de outubro. Ramos teria sido designado para “abrir a caixa-preta” da PGR.

Ten. Ricardo Machado Vieira, ex-secretário executivo do MEC

Indicado por Bolsonaro ao ministério da Educação, o tenente brigadeiro Ricardo Machado Vieira não foi poupado durante a demissão do colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, em abril. Sob a administração de Abraham Weintraub, a nova ordem do MEC é menos militares e mais “olavistas”.

 

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