Governo baiano busca arquivos da ditadura

Quase duas décadas depois de Estados como Pernambuco e São Paulo abrirem seus arquivos sobre a ditadura, o governo baiano baixou decreto, na edição de ontem do Diário Oficial, criando um grupo de trabalho com o objetivo de "localizar e tornar acessíveis" os arquivos sobre o período da ditadura militar, entre 1964 e 1985.O projeto, intitulado Memórias Reveladas das Lutas Políticas na Bahia, será coordenado pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e terá a participação de representantes das polícias Militar e Civil e da Fundação Pedro Calmon, ligada à Secretaria da Cultura e responsável pela gestão do Arquivo Público Estadual.O decreto prevê a mobilização da sociedade para reunir acervos particulares sob a guarda de entidades privadas e pessoas físicas. O grupo vai preparar a integração da Bahia à rede nacional de cooperação para divulgação e disponibilização de dados, imagens e informações do período.De acordo com o decreto, os trabalhos devem ser concluídos em 180 dias. Os primeiros documentos a figurar no projeto serão os reunidos nas sedes das polícias Federal, Militar e Civil, em Salvador. A expectativa é de esclarecer pontos controversos da atuação dos órgãos repressores na ditadura, mostrando os detalhes das operações. Na Bahia, há registro de 32 mortos e desaparecidos políticos."Tememos que muitos documentos tenham sido destruídos, em ações como a ocorrida há quatro anos, quando uma grande quantidade de dados foi queimada na Base Aérea de Salvador", lembra a presidente do Grupo Tortura Nunca Mais na Bahia, Diva Santana. "Apesar disso, temos a esperança que muitos outros arquivos surjam."É a última ação da secretária Marília Muricy à frente da pasta de Justiça e Direitos Humanos. Ela pediu ao governador, Jaques Wagner, para se afastar do cargo. Em seu lugar assume o deputado Nelson Pelegrino (PT-BA).Para Wagner, militante estudantil nos anos 70, o decreto é histórico. "As sociedades baiana e brasileira têm o direito de conhecer o passado."

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