Governo avalia que crise está próxima do gabinete do presidente

Um colaborador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que Lula chamou ontem ao Planalto para uma conversa o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo o assessor presidencial, o governo está muito preocupado com a crise política decorrente das denúncias do caseiro Francenildo dos Santos Costa contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Setores do governo avaliam que a crise está se aproximando muito do gabinete presidencial e temem o efeito disso nas pesquisas de intenção de voto referentes às eleições presidenciais deste ano.Preocupado com a gravidade da crise, Renan começou hoje, logo cedo, a trabalhar no sentido de baixar os ânimos no Congresso. Em conversas reservadas, ele tem dito que essa crise está ganhando contornos de luta sangrenta e paralisando o Congresso. Hoje, Renan já recebeu em seu gabinete o senador petista Tião Viana (AC); o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e o líder do governo no Congresso, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), e conversou, também, por telefone, com a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). Em todos esses contatos, Renan fez um apelo para que governo e oposição baixem os ânimos e retomem o diálogo.Aliança com PMDBNa conversa de Renan com Lula, também se falou do PMDB e das chances de a candidatura própria do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho vingar. Como Garotinho teve apenas 38% dos votos peemedebistas e as prévias foram barradas pela Justiça, a consulta não tem nenhum valor jurídico.A melhor notícia para os governistas, que querem impedir a candidatura própria, foi a de que, se Garotinho tivesse sido escolhido em eleições prévias, seria preciso reunir a convenção nacional e obter o apoio de dois terços dos votos dos convencionais para derrubar a candidatura própria. Entretanto, como se tratou apenas de consulta, isso pode ser resolvido com maioria simples (metade mais um dos convencionais).

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