André Dusek/ Estadão
André Dusek/ Estadão

Governo avalia ampliar corte de despesas e mira em cargos de confiança

Sinal dado pelo Planalto ao Congresso é de que redução de postos comissionados pode ser maior que o 1 mil anunciados antes

Ricardo Brito, Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

18 de setembro de 2015 | 12h42

Brasília - O governo indicou aos parlamentares da Comissão Mista de Orçamento (CMO) que poderá avançar ainda mais nos cortes de despesas durante as negociações da proposta de Orçamento de 2016 no Congresso Nacional. Este deve ser o tema principal da reunião que acontece nesta sexta-feira, 18, no Palácio do Planalto.

Um dos alvos é ampliação da tesoura nos cargos em confiança. Até agora, a presidente anunciou o corte de 1 mil do total de 22,5 mil cargos em comissão. A economia com essa medida será mínima, de R$ 200 milhões, mas teria um efeito simbólico para os parlamentares. 

A sinalização atende a pedido da cúpula do Congresso, que defende uma corte mais profundo nas despesas para conseguir apoio para aprovação da nova CPMF com recursos garantidos para a Previdência.

Os ministros da equipe econômica Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) também avisaram que vão enviar ao Congresso em breve as medidas legais do pacote fiscal que foi anunciado na segunda-feira, 14, para reverter o rombo do Orçamento de 2016. A ideia é mandar as propostas da forma como foram apresentadas e negociar no Legislativo.

Apesar das resistências públicas a aumento de impostos, o clima na quinta-feira nas cinco horas da reunião fechada da CMO com a presença dos ministros não foi de confronto. Segundo parlamentares que participaram da reunião, Levy e Barbosa responderam a todos os questionamentos. 

Na avaliação de uma liderança parlamentar, foi a primeira vez que os dois se apresentaram afinados. Também foi a primeira aparição conjunta dos ministros nas negociações com o Congresso. Em momentos anteriores, cada um agia por conta própria.

Os dois ministros também deram indicações de que poderá haver mudanças nas estatais, com o enxugamento de estruturas. Embora essa medida não tenha um impacto no resultado primário, ela é vista como um sinal positivo para o Congresso da disposição do Executivo de "cortar na carne".

A Junta Orçamentária, composta por Levy, Barbosa e Aloizio Mercadante (Casa Civil), está reunida neste momento para discutir as propostas. Técnicos do Planejamento estiveram discutindo até 2h da manhã de hoje as medidas da reforma administrativas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.