Governo atrasou relatório sobre crianças para ouvir "autoridades"

O governo brasileiro informou que o atraso no envio de informações às Nações Unidas sobre a proteção dos direitos da criança foi provocado pela decisão de ouvir autoridades públicas e entidades civis em todo País sobre o tema. Só recentemente foram reunidas as propostas encaminhadas por organizações não-governamentais (ongs), autoridades federais, estaduais e municipais. De acordo com diplomatas que acompanham o trabalho, o documento, englobando as sugestões brasileiras, será enviado ao comitê que trata sobre os direitos da Criança, na Organização das Nações Unidas (ONU), em janeiro do próximo ano.Os diplomatas e especialistas, que trabalham na elaboração da proposta brasileira, rebateram as críticas de que o governo não coopera na defesa nos direitos das crianças. Segundo eles, o Brasil é um dos poucos países que ratificou todas as seis convenções que defendem a proteção de direitos humanos envolvendo questões relativas à mulher, ao racismo, aos temas civis e políticos e aos que se referem às crianças e à tortura. "O resultado da proposta brasileira (sobre a proteção dos direitos da criança) será uma ferramenta para implementação de ações e não uma obrigação burocrática", afirmou um diplomata.Para integrantes do grupo que trabalha na elaboração da proposta brasileira, a posição do governo é de destaque no comitê que trata da defesa dos direitos da criança, pois a diplomata Marília Zelner (irmã do ministro de Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg) foi reeleita pela terceira vez para ser membro permanente do órgão. "O Brasil não é um pária, muito pelo contrário", reagiu um dos técnicos que acompanha o trabalho, confirmando que o Brasil foi um dos mais de 190 signatários do tratado denominado Convenção Internacional para Proteção dos Direitos da Criança. O documento foi ratificado em 1995.

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