Governo atacará no 'varejo' para conseguir votos para CPMF

Auxiliar de Mantega diz que governo irá buscar diálogo com cada senador, após rejeição de proposta pelo PSDB

Adriana Fernandes, do Estadão

07 de novembro de 2007 | 15h42

O governo atacará no "varejo" para conseguir os votos necessários à aprovação, no Senado, da proposta de emenda constitucional que prorroga a cobrança da CPMF até 2011. "Vamos trabalhar no varejo e buscar o diálogo com os senadores", disse um auxiliar do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Após a decisão anunciada na última terça-feira pela bancada do PSDB de rejeitar a proposta de negociação apresentada pela equipe econômica do governo, a estratégia agora é reforçar os contatos individuais no Senado, com o apoio dos governadores do PSDB, e buscar uma coesão forte da base aliada, sobretudo com os senadores do PMDB.  Veja Também:  Entenda como é a cobrança da CPMF  Veja a proposta do governo sobre a CPMF apresentada ao PSDB PSDB encerra negociação e decide votar contra CPMFPSDB recusa proposta do governo de isentar CPMF até R$4.340  O clima na equipe de Mantega foi de frustração após o anúncio da decisão do PSDB, depois de o governo ter cedido mais aos tucanos ampliando a isenção da CPMF para os trabalhadores com renda até R$ 4.340,00. "A reunião foi amistosa, e foi estranho o que aconteceu depois", resumiu um auxiliar do ministro. O governo pretendia dar a isenção até o patamar em torno de R$ 1,8 mil, e o aumento para R$ 4.340,00 foi decidido em cima da hora durante a reunião com os senadores Tasso Jereissati (CE), Sérgio Guerra (PE) e Arthur Virgílio (AM). A avaliação no governo é a de que as negociações ficaram mais difíceis, mas ainda há espaço para o diálogo, principalmente com a ajuda dos governadores favoráveis à prorrogação da CPMF, entre eles Aécio Neves (Minas Gerais) e José Serra (São Paulo).  Posição da bancada Os principais líderes do PSDB consideram provável que o partido feche questão contra a prorrogação da CPMF em reunião da Executiva Nacional. O encontro ainda não foi marcado, mas, segundo expectativa de parlamentares tucanos, poderá ocorrer na próxima semana caso o governo federal use os governadores do PSDB para tentar flexibilizar a posição da bancada de senadores. Apenas dois votos favoráveis à CPMF de senadores tucanos seriam suficientes para garantir a vitória ao governo. Por outro lado, avaliam, essa hipótese abriria uma crise política no partido. Por isso, os líderes não acreditam que eventuais investidas dos governadores do PSDB junto a senadores possam resultar em mudança de posição da bancada. Isso só forçaria o fechamento de questão, obrigando todos a votarem unidos sob pena de punição partidária.O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), ressaltou que a posição dos governadores ao longo do processo foi "exemplar" e aposta que eles continuarão nesta postura. "Foi um comportamento exemplar de todos, respeitando a autonomia da bancada", disse, lembrando que, nas conversas com Aécio Neves (MG) e José Serra (SP), ambos defendiam uma negociação boa para os Estados. "Mas essa proposta boa não apareceu", completou Virgílio.

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