Governo articula na Câmara e impede convocação de Palocci

Governo suspendeu todas as reuniões de comissão na Câmara; para oposição, gesto é autoritário; em plenário, convocação de ministro não passou

Eugênia Lopes e Denise Madueño / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2011 | 11h16

O governo montou uma operação de guerra na Câmara para impedir a convocação do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Com o argumento de que o plenário da Casa tem de votar medidas provisórias, os governistas não deixaram 16 comissões permanentes da Casa funcionar na manhã desta quarta-feira, 18.

 

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O requerimento de convocação de Palocci seria votado pela Comissão de Fiscalização e Controle, mas a reunião do grupo foi suspensa quando o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, convocou a sessão do plenário. Pelo regimento, as comissões não podem votar nada quando há sessão deliberativa no plenário da Câmara. Algumas comissões, como a de Finanças e Tributação, foram lacradas. Na porta, um grupo de seguranças impedia a entrada de parlamentares. Controlada pelo DEM, a Comissão de Agricultura tentou aprovar requerimento de deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) de convocação de Palocci.

 

"O governo quer colocar uma mordaça na oposição", reclamou o líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). Cartazes com "Blindagem do Palocci" foram espalhados pelo plenário da Comissão de Agricultura.

 

"O governo fez uma manobra anti-democrática e desconvocou as comissões", disse o líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP). "Ninguém pode apresentar uma irregularidade qualquer em relação a esse assunto", afirmou o deputado Pepe Vargas (PT-RS), que subiu à tribuna para defender Palocci. "Não podemos criminalizar a atividade da vida privada das pessoas", argumentou o petista.

 

Plenário

 

Sem poder agir nas comissões, a oposição tentou, sem sucesso, aprovar a convocação do Palocci no plenário da Câmara. Dois requerimentos da oposição foram derrubados na votação em plenário. O primeiro requerimento foi barrado com 266 votos contrários, 72 a favor e 8 abstenções.

 

 

(Atualizada às 13h41)

 

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