Governo articula e evita convocação de ministros na Câmara

Oposição não conseguiu aprovar nenhum requerimento de convocação de ministros nas comissões permanentes da Casa

Denise Madueño, de O Estado de S.Paulo

28 de março de 2012 | 15h40

Os aliados da presidente Dilma Rousseff atenderam à convocação e o esquema de blindagem ao governo deu certo na Câmara. A oposição não conseguiu aprovar nesta quarta-feira, 28, nenhum requerimento de convocação de ministros nas comissões permanentes da Casa. "A crise viajou e o trator funcionou hoje", constatou o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), ao ter seus requerimentos rejeitados na Comissão de Fiscalização e Controle.

 

Em uma vitória acachapante, os aliados derrotaram por 11 votos a 2 o convite - não era sequer uma convocação obrigatória - para que a presidente da Petrobrás, Graça Foster, e o ex-titular Sérgio Gabrielli fossem explicar aos deputados contratos suspeitos da estatal com organizações não governamentais. "Fizeram uma bela proteção", afirmou Macris.

 

Com a tropa de choque governista de prontidão, Macris, prevendo a derrota, retirou outro requerimento de convite da pauta, para que o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, explique os repasses de recursos do PRO-UNI a universidades privadas. "Vou tentar fazer um acordo com o governo e ver de que forma será possível reapresentar o requerimento (para o ministro comparecer à comissão) na próxima semana", disse Macris.

 

Na Comissão de Finanças e Tributação, foram derrotados requerimentos de convite à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti e ao presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, para explicar divergências com Ricardo Flores, presidente da Previ. Também foi rejeitado o convite para o vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival e a ex-presidente da instituição, Maria Fernanda Coelho, explicarem a compra do Banco Panamericano.

 

Na comissão de Finanças foi aprovado o que o governo concordou. A comissão decidiu realizar um seminário no próximo mês, proposto pelo deputado Pauderney Avelino (DEM-AM), com a participação do secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto. O acerto foi feito com o secretário, que participou pela manhã de uma reunião regular na comissão para discutir os dados divulgados da arrecadação de tributos dos meses de janeiro e fevereiro deste ano.

 

Os líderes e os vice-líderes aliados executaram a operação governista montada desde esta terça-feira, 27, para evitar derrotas e a convocação de ministros. Na semana passada, em meio à falta de controle do governo sobre a base, os deputados aprovaram a convocação da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, para uma audiência pública na Comissão de Trabalho.

 

A preocupação dos líderes e vice-líderes em evitar as convocações encurtou o encontro do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com os aliados da Câmara. O ministro reuni nesta quarta os lideres da base, mas, passada meia hora do encontro e perto das 10h, o vice-líder do governo na Câmara, Odair Cunha (PT-MG), alertou que precisava sair. "Ministro, desculpe, mas temos de ir lá para salvar o senhor de convocação", brincou.

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