Governo aprovou venda de avião da Embraer para Blackwater, diz Jobim

Ministro descarta questionamento sobre negócio com empresa que atua no Iraque.

Da BBC Brasil, BBC

13 de junho de 2008 | 16h09

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o governo aprovou a venda de um avião Supertucano da Embraer para a empresa americana Blackwater Worldwide, que presta serviços ao Exército dos EUA no Iraque, em 2006."Essa questão da venda da Embraer foi aprovada em 2006", afirmou o ministro, em resposta a uma pergunta da BBC Brasil sobre se negócios como o da Blackwater fariam parte da política de defesa que ele defende."A questão é o Brasil precisa de uma política industrial de defesa? Precisa. Então vamos fazer."O Supertucano foi vendido por US$ 4,5 milhões em dezembro de 2006 e entregue há três meses, em 25 de fevereiro, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.A transação foi cercada de muita polêmica porque a Blackwater é acusada de violações contra civis na guerra do Iraque, conflito em que Brasil sempre se mostrou desfavorável.Críticos questionam se a venda não fere o princípio da não-intervenção historicamente defendido pela diplomacia brasileira. Nenhum integrante do governo havia se pronunciado sobre o negócio. Até então, só a Embraer havia se manifestado. De acordo com a assessoria de comunicação da empresa, o avião foi vendido à EP Aviation, subsidiária da Blackwater, para ser usado em treinamento nos Estados Unidos, não em combate no Iraque. Jobim participou na quinta-feira do Congresso da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), onde assinou com o presidente da entidade, Paulo Skaf, um acordo para a criação do Fórum Nacional de Defesa, instância de discussões de incentivos a uma "política industrial de defesa".Fórum Nacional de DefesaSegundo informações do Ministério da Defesa, o fórum tem como objetivo discutir formas de incentivar a indústria brasileira de defesa. Por meio de nota, o ministério cita incentivos de R$ 1,4 bilhão e o esperado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Defesa, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá anunciar no dia 7 de setembro, como estímulos para uma política industrial da defesa.Numa mesa-redonda sobre política industrial, Jobim disse que desde o fim regime militar, os governos civis deixaram de discutir uma política de defesa e é preciso definir que tipo de tarefas as Forças Armadas devem desempenhar no país.Para Jobim, é preciso agora "otimizar a base industrial da defesa para fins civis e militares".Para cada tarefa, disse, há uma estratégia e uma necessidade de equipamentos específicos. No caso da Amazônia, ele disse que é preciso tanto monitoramento aéreo como presença em terra.O ministro também defendeu a definição de um regime jurídico para permitir a atuação do Exército em conflitos urbanos se for decidido que é isso que o país precisa."Há vários governadores e setores da sociedade que querem o Exército nas ruas", disse Jobim.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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