Governo apoia ataques na web, diz marqueteiro de Serra

O coordenador de comunicação digital do presidenciável José Serra (PSDB), Sérgio Caruso, acusou hoje o governo federal de patrocinar blogs de ataque ao tucano. "Não existe nenhuma verba pública ligada ao Serra bancando esses blogs (de ataque), diferente de outros blogs que passam o dia metendo o pau no Serra", disse Caruso, na frente de Marcelo Branco, estrategista de internet da campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff. Os dois concediam, lado a lado, entrevista coletiva após participarem de um debate sobre eleições no evento sobre tecnologia Infotrends, em São Paulo.

ANNE WARTH E CAROLINA FREITAS, Agência Estado

17 de junho de 2010 | 19h03

Branco reagiu e disse que a verba do governo federal para publicidade independe da linha editorial do veículo. "O governo Lula não pode ser acusado de nenhum tipo de retaliação em relação à distribuição de verbas publicitárias. Os recursos têm a ver com a tiragem e os veículos que mais recebem do governo claramente fazem hoje oposição ao governo Lula", disse Branco.

Para o coordenador da campanha tucana, o governo federal teve tempo e verba suficientes para falar dos feitos da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva antes da campanha eleitoral. Caruso citou o blogueiro Paulo Henrique Amorim como exemplo de profissional que atuaria em favor do presidente. "Não estou dizendo que o governo federal está usando todo o dinheiro no blog no Paulo Henrique Amorim. Estou dizendo que o governo tem tido a oportunidade, sim, de fazer enormes investimentos em mídia para demonstrar aquilo que ele tem feito em prol do povo brasileiro."

Caruso acusou o PT de tentar se passar por "vítima": "Não é possível que a gente continue ouvindo o PT se dizendo vítima da imprensa." Branco contra-atacou: "Não é vítima, é democracia. Não é crítica quando um blogueiro da revista de maior circulação do País passa o dia inteiro dizendo que eu sou sujo, cabeludo, hippie, que tenho cabelos compridos e ideias curtas." O petista fazia referência ao colunista da revista "Veja" Reinaldo Azevedo.

No fim da entrevista, Caruso abraçou um constrangido Branco, dizendo que os dois eram profissionais fazendo o seu trabalho. Para descontrair, Caruso tomou o lugar dos repórteres e pediu para fazer uma pergunta ao estrategista do PT. Caruso quis saber como Branco se sentiu diante do boato espalhado há alguns meses pela internet de que seria demitido da campanha de Dilma. "Obrigado por fazer essa pergunta. Assim eu posso desabafar e economizar alguns anos de terapia", disse Branco, para quem o mundo da política se mostrou "barra pesada".

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