Governo ameaça punir por alianças

O líder do governo no Congresso, Arthur Virgílio (PSDB-AM), disse que o alerta do governo aos líderes dos partidos aliados sobre a possibilidade de punir os que fizerem alianças com a oposição não se refere, em princípio, às negociações que estão sendo feitas para as eleições das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado. Segundo Virgílio, o que o governo não aceita são as alianças no plenário, como a ocorrida ontem, que atinjam a política econômica do governo ou a governabilidade. Virgílio disse que se o alerta fosse relativo às eleições "seria contrariar a praxe parlamentar, pois o PT tem direito a uma posição honrosa na Mesa". Ele disse, no entanto, que essas negociações relativas às eleições têm como limite a direção da Casa. "A maioria parlamentar tem conveniências e uma delas é não entregar o poder para a minoria". Ele afirmou que o conceito de governabilidade, nesse caso, passa pela manutenção da maioria nas presidências das duas Casas. "O governo tem definição clara de que não tem vocação para ser minoritário. E isso é amparado pelas pesquisas", disse. Segundo Virgílio, nas pesquisas sobre as eleições 2002, nas citações espontâneas, o nome de Fernando Henrique aparece empatado com o de Lula, embora o presidente não seja candidato. Ele justificou a obstrução às votações de hoje no Congresso como uma medida necessária para "rearranjar" a base de sustentação do governo. Ele disse que ontem "não foi um dia marcado pela sensatez", referindo-se à aliança entre o PFL e as oposições, ocorrida em algumas votações. Virgílio afirmou ainda que na próxima semana as votações serão retomadas com o apoio do PFL e disse contar apenas com o tempo para que o partido se acerte com a base. "Jamais cada cabeça foi uma sentença como agora".

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