Governo ainda tenta reverter decisão de Marina, diz Ideli

Saída do Planalto ocorre cinco dias após o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS)

EUGÊNIA LOPES, Agencia Estado

13 de maio de 2008 | 17h14

A líder do Bloco de Apoio ao Governo e do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), informou nesta terça-feira, 13, que o Executivo ainda tenta reverter a decisão da ministra demissionária do Meio Ambiente,  Marina Silva, de deixar o ministério. "Conversei com o ministro José Múcio (de Relações Institucionais) e ele informou que há uma tentativa para que ela (Marina) permaneça no cargo", afirmou.   Veja também:  Veja os ministros que deixaram o governo Lula  Especial: Amazônia - Grandes reportagens  Conheça a carreira política de Marina Silva Marina Silva pede demissão do Ministério do Meio Ambiente Demissão de Marina pode ser rixa com Mangabeira à frente de plano da Amazônia Razões para saída de Marina são pessoais, diz senador do PT Políticos e entidades comentam demissão de Marina Silva   A saída do Planalto ocorre cinco dias após o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS). Na solenidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o ministro extraordinário do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE), Roberto Mangabeira Unger, seria o coordenador do PAS, mas fez uma brincadeira com Marina: "Dilma, eu disse que você é a mãe do PAC. Ninguém como você, Marina, para ser a mãe do PAS. De mãe em mãe, vocês percebem que estou criando a nova China aqui."   Marina está à frente do ministério desde o primeiro mandato de Lula. Sua saída põe fim a um processo de desgaste que se acentuou no ano passado, quando o atraso na concessão de licenças ambientais pelo Ibama foi apresentado como o grande vilão para o não andamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Marina chegou a protagonizar disputas com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o próprio Lula fez críticas públicas à área sob seu comando quando a falta de licenças atrasou o processo de leilão das usinas do Rio Madeira.   Sob forte bombardeio desde então, a ministra mantinha suas convicções em eventos públicos. Ainda na última segunda, durante lançamento do Programa Brasileiro de Inventário Corporativo de Gases de Efeito Estufa, a ministra teve a coragem de criticar a menina dos olhos do governo Lula, o investimentos em biocombustíveis: "o Brasil não quer ser a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) dos biocombustíveis(...) Queremos dar nossa contribuição em relação aos biocombustíveis, mas observando nossa capacidade de suporte. E de forma que não comprometa a segurança alimentar nem a questão ambiental", chegou a dizer Marina à Agência Brasil. "Nossa economia depende 50% da nossa biodiversidade. Quem destruiria sua galinha dos ovos de ouro?", indagou em Brasília.   Marina reassume sua vaga como senadora no lugar de Sibá Machado (PT-AC), que é seu suplente e ocupava o cargo desde que a ministra assumiu o posto em 2003. O Palácio do Planalto ainda não confirma a informação.  

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