Governo admite tirar urgência da CLT em troca da CPMF

O secretário-geral da Presidência, Arthur Virgílio, reconheceu hoje que o governo vai recorrer a um acordo com a oposição para tentar aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF) no Senado, onde o PFL ameaça obstruir a tramitação da proposta. Segundo ele, os partidos oposicionistas foram avisados de que os governistas aceitam retirar o pedido de urgência do projeto que flexibiliza a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), reivindicada pelas legendas anti-Planalto. Em troca, a oposição não obstruirá o projeto que prolonga a vigência da CPMF."Já mandamos dizer pelo líder Artur da Távola que aceitamos, esse é o preço a pagar e foi um preço decente pedido", disse ele, que almoçou com o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouveia Vieira. "Somos a favor de reformar a CLT, mas temos que reconhecer que a oposição veio com algo ideológico, não veio propor nenhuma barganha, nada escuso."Virgílio reconheceu que, com o acordo, a votação no Senado da flexibilização da CLT, que já passou na Câmara, deverá ficar para o período entre o fim do segundo turno das eleições e o fim do governo Fernando Henrique Cardoso. "Voltaremos à carga com isso, por entender que moderniza o País, em vez de retirar, gera empregos, mas estamos tendentes a concordar", disse ele. "Se a oposição ajuda na votação, nós concordaremos com isso, sim. E, de parte dos senadores, a gente percebe que PMDB, PSDB, PFL, estão todos, a meu ver, dispostos a votar, por entender que quem perde é o País." Diplomático, Virgílio elogiou seguidas vezes o PFL e disse que, se o projeto da CPMF for aprovado na Câmara hoje, o País terá um quadro político novo a partir de amanhã. "Temos muita admiração pelo PFL, muita gratidão pelo que ele fez pelo País, imaginamos que amanheceremos com muito mais razões para paz que para animosidade", declarou. Ele disse ter certeza de que os pefelistas aprovarão a prorrogação da CPMF na Câmara, sem problemas. "Minha consciência é de que amanhã a gente vira a etapa da Câmara", afirmou. Mostrando otimismo, ele disse esperar que o Senado consiga fazer três ou quatro sessões ordinárias por dia, como aconteceu na votação da limitação da imunidade parlamentar e, na semana que vem, encerre a votação do projeto, limitando a R$ 800 milhões o prejuízo com a demora na aprovação da CPMF.

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