Governo admite aumento de tarifas por conta de Congonhas

O governo admitiu pela primeira veznesta segunda-feira que as tarifas aéreas podem aumentar devidoà decisão de reduzir o tráfego de aviões em Congonhas. Durantereunião de coordenação nesta manhã, a cúpula do Planaltoavaliou que, entre segurança e passagens mais baratas, preferemficar com a primeira opção. O governo reconheceu, ainda, a possibilidade de "haver maistranstornos" para usuários por conta da medida aplicada noaeroporto de São Paulo. Segundo um assessor da Presidência, quefalou sob condição do anonimato, "as pessoas vão precisarcompreender" a solução dada à crise. Na última sexta-feira, o Executivo anunciou um pacote deemergência para desafogar Congonhas, palco do maior acidenteaéreo da história, semana passada. A reunião de coordenação serviu também para autocríticas.De acordo com o relato feito por uma fonte qualificada, foi umerro estratégico, deste e de outros governos, autoridadesaéreas, companhias de aviação e dos próprios passageirospermitir que Congonhas chegasse ao atual estágio decongestionamento. O governo reafirmou a intenção de transferir mais recursospara sanear os gargalos do setor e a disposição de dar maispoder para o Conselho de Aviação Civil (Conac). A expetativa éde que o órgão passe a se reunir toda a semana. Sobre o acúmulo de atrasos e cancelamentos de vôos ocorridoneste final de semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silvafoi informado pelo comandante da Aeronáutica, brigadeiro JunitiSaito, de que teria havido um erro no Cindacta-4 de umsargento, especialista em eletricidade do centro de controle, eque esta falha poderia ser responsável pelos transtornos. Apesar desta avaliação, o governo ponderou que nenhumapossibilidade, nem a de sabotagem, pode ser descartada. Saitovisitou o Cindacta-4, na região da Amazônia, para apurar ascausas da pane na madrugada de sábado. Após a reunião de coordenação, o presidente Lula se reuniucom o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda(DEM-DF). Ao deixar o encontro, o oposicionista disse ajornalistas que informou o presidente que Brasília temcondições de ter mais vôos internacionais e que o DF poderiaser uma saída para a descentralização de Congonhas. Segundo o governo, o aeroporto de Brasília já tem umasegunda pista pronta para operar, mas ainda falta construir umnovo terminal de passageiros. De acordo com Arruda, o presidente sugeriu que falasse como ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, sobre o assunto.Por determinação de Lula, a pasta passará a integrar o Conac. "Ele (presidente) ainda está profundamente chocado (com oacidente da TAM)", comentou Arruda. Um Airbus A-320 da TAM, fazendo a rota Porto Alegre-SãoPaulo com 187 pessoas a bordo, acidentou-se na últimaterça-feira ao tentar pousar na pista molhada de Congonhas. Aaeronave atravessou uma avenida, se chocou contra dois prédiose explodiu na sequência.

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