Governo acena com cargos para evitar que base apoie investigação

Pendências na distribuição de cargos do segundo escalão para aliados deve, finalmente, ser resolvida para conter crise política

Vera Rosa e Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo,

20 de maio de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - Na tentativa de esvaziar a ameaça de uma CPI para investigar as atividades do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, o governo já acena com cargos para acalmar a base aliada. A ideia é que a partir da próxima semana o quebra-cabeça do segundo escalão comece a tomar forma final.

 

Veja Também:

linkOposição propõe CPI para investigar conexões

linkProcuradoria dá 15 dias para Palocci

linkWTorre contratou Palocci, diz jornal

video Tucano compara blindagem a ditadura

especialOs altos e baixos de Antonio Palocci

 

A oposição não tem votos suficientes para abrir uma CPI mista, reunindo deputados e senadores, mas já está atrás dos insatisfeitos da base aliada. É "suprapartidário" o grupo dos descontentes com a demora da presidente Dilma Rousseff em definir presidências e diretorias de estatais, autarquias e bancos oficiais. O time reúne parlamentares do PT ao PMDB, passando pelo PSB, PC do B e PR.

 

Na prática, tanto o PSDB como o DEM sabem que há poucas chances de conquistar assinaturas suficientes para instalar a CPI agora, mas já começaram a "mapear" os queixosos, principalmente dos partidos menores da base. Cauteloso, o governo quer, por sua vez, adoçar a boca dos aliados para também barrar qualquer convocação de Palocci em comissões do Congresso.

 

Disputados. Na lista dos cargos cobiçados pelos aliados estão as presidências de instituições financeiras - como o Banco do Nordeste (BNB) e o Banco da Amazônia (Basa) - e da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), além de várias diretorias. As mais citadas estão na própria Chesf, Itaipu, Departamento de Obras contra as Secas (Dnocs), Eletronorte, Eletrosul, Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e Sudene.

 

"Nós vamos dar toda a força para Palocci e enfrentar essa luta política. É claro que há desgaste e temos preocupação com os desdobramentos políticos do caso, mas a recomendação é para que ninguém pare de trabalhar", afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

 

No Palácio da Alvorada, Dilma recebeu o ex-ministro Franklin Martins, que comandou a Comunicação Social do governo Lula no segundo mandato. O governo nega que Franklin tenha sido chamado para ajudar a traçar a estratégia do contra-ataque no caso.

 

Embora a situação do ministro da Casa Civil esteja cada vez mais delicada, o discurso do Planalto é o de que não há fato determinado para a abertura de uma CPI. Nem mesmo a revelação de que a consultoria Projeto - de propriedade de Palocci - tinha como clientes empresas que mantinham negócios com o governo abalou a defesa do ministro mais poderoso da equipe, braço direito de Dilma.

 

"Meu Deus do céu, se você for selecionar empresas no Brasil que têm negócios com o governo vai observar que são praticamente todas", disse Carvalho. "Isso não prova nada. Palocci não tem problema na Comissão de Ética, na Receita e nem na Procuradoria-Geral da República. Então, nenhuma das acusações até agora vai além da questão política."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.