Governo

O presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou a viagem que faria nesta sexta-feira a São Paulo e convocou para a manhã uma reunião com a equipe econômica.Ele está preocupado com as repercussões econômicas de não se votar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) pelo Congresso, da aprovação de despesas pelos parlamentares sem previsão de gastos e da instabilidade que pode ser provocada na economia em decorrência do aumento dos preços do petróleo, em função da crise no Oriente Médio.Mas os motivos do cancelamento da ida à capital paulista não foram só econômicos. Nesta sexta-feira à noite, Fernando Henrique se reuniria com as cúpulas do PMDB e do PSDB para discutir a questão da aliança entre os dois partidos, que enfrentam dificuldades depois da desistência do governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), de ser o candidato a vice-presidente na chapa do pré-candidato José Serra (PSDB).O presidente também quer usar esta sexta para fechar a composição do ministério, uma vez que ainda tinha de encontrar um nome para substituir o ministro da Integração Nacional, Ney Suassuna, que, até a noite desta quinta, continuava sem saber se ficava ou se saía.A crise no Oriente Médio é entendida como um sinal de alerta pela equipe econômica. Fernando Henrique convocou os ministros da Fazenda, Pedro Malan, do Planejamento, Orçamento e Gestão, Guilherme Dias, da Casa Civil, Pedro Parente, e da Secretaria-Geral da Presidência, Euclides Scalco.De acordo com um ministro, a preocupação do presidente é com os reflexos que essa crise pode gerar na economia em geral, com aumento do dólar por exemplo. Além das dificuldades que podem ser causadas por conta da crise no Oriente Médio, Fernando Henrique quer discutir com a equipe econômica como evitar o rombo no Orçamento da União por causa das várias despesas que estão sendo criadas pelo Congresso, como a da extensão da securitização da dívida dos agricultores, a dificuldade de votação da MP que aumenta alíquota do Imposto de Renda (IR) e a aprovação da CPMF.Nesta quinta-feira, o presidente tratou desses temas com o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG). O trancamento da pauta e a possibilidade de mudanças nas regras da votação das medidas provisórias (MPs) também entrou na pauta da conversa, além da questão do fechamento da pauta.Fernando Henrique decidiu cancelar a viagem que faria nesta sexta a São Paulo para participar das comemorações do Dia Internacional da Saúde, mas manteve a reunião com empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na próxima segunda-feira, ao lado do presidente da Polônia, Aleksander Kwasmiewski.O tucano confirmou ainda a viagem desta terça-feira a Foz do Iguaçu (PR). Apesar de irritado com o vai-e-vem de Suassuna, FHC tentou nesta quinta-feira amenizar a polêmica travada por conta da postura dele e do ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Raul Jungmann.O presidente lembrou, por meio do porta-voz Alexandre Parola, que o prazo de desincompatibilização só termina no sábado e que considera "natural que os ministros que se afastaram tenham buscado atender a seus interesses políticos".Para evitar maiores especulações, com a desistência de Jungmann, de quem elogiou a atuação, Fernando Henrique deu posse nesta quinta ao novo ministro do Desenvolvimento Agrário, o ex-deputado José Abrão. Paulista, 57 anos, Abrão é advogado, publicitário e professor universitário e participou da coordenação de mobilização do comitê central da campanha de reeleição do presidente.

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