Governistas se dizem certos da derrota de Itamar

A cúpula governista do PMDB e os colaboradores mais próximos do presidente Fernando Henrique Cardoso estão certos de que imporão uma "derrota humilhante" ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), na convenção que elegerá o novo comando do partido, domingo, tornando inviável a candidatura dele a presidente da República pela legenda. A cinco dias da convenção nacional da sigla, o Palácio do Planalto comemora o que considera a primeira vitória na corrida presidencial de 2002.A preocupação do governo era impedir que um "inimigo público" do presidente (neste caso, o governador) saísse candidato a presidente da República por uma agremiação que, além de grande e aliada, mantivesse posições no Executivo federal, aproveitando-se das benesses do governo até as vésperas da eleição. "O Itamar pode até disputar no campo da oposição, que é o lugar dele, mas não no PMDB", resumiu um interlocutor do presidente, há dois meses.Foi com este pensamento que o governo fez uma operação apontada hoje como "jogada de mestre" até por líderes adversários do Palácio. Em vez de combater a tese da candidatura própria, Fernando Henrique preferiu num alerta aos aliados da legenda: o da inconveniência política de a sigla entregar o comando a Itamar este ano. "Nesta eternidade real que nos separa do processo sucessório, só dou importância a dois fatos", resume o líder do PPS no Senado, Paulo Hartung (ES), ao apontar o "discreto e eficiente" deslocamento da candidatura do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, para o centro, e a derrota que Fernando Henrique impôs a Itamar, sem "declaração de guerra".Em conversas de bastidores com ministros e líderes do PMDB, Fernando Henrique afirmou que, conhecendo Itamar tão bem como conhece, não tinha dúvidas de que, com o comando do PMDB nas mãos em setembro, o governador desprezaria todos em 2002. Os cardeais do partido mandaram vários recados a Itamar, tentando, em vão, tirar do governador compromissos para a composição de palanques nos Estados em 2002. A resposta foi o silêncio.O quadro ficou ainda mais claro quando Itamar desistiu de disputar a presidência nacional da legenda com o candidato Michel Temer, abrindo espaço para a candidatura do presidente nacional interino, senador Maguito Vilela (GO). Num discurso combinado com Itamar e de olho no apoio da oposição na disputa pelo governo de Goiás em 2002, Vilela começou a atacar o governo e os ministros da sigla.Na avaliação geral, o resultado foi duplamente favorável ao governo: além de fechar as portas da agremiação a Itamar, o discurso de Vilela, considerado "desastroso" pela maioria dos peemedebistas, aproximou do Planalto a ala mais independente, que rejeita a candidatura do governador. Mas Itamar também saiu satisfeito. Pelo menos é o que afirma o chefe da representação do governo de Minas Gerais em Brasília, Israel Pinheiro Filho, para quem o governador está apenas "cumprindo um ritual para mostrar à sociedade que Fernando Henrique interferiu para impedir sua candidatura pelo PMDB". Segundo Pinheiro Filho, Itamar está de malas prontas para o PDT do ex-governador do Rio Leonel Brizola.

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