Governistas se articulam para evitar cassação de Arruda, ACM e Jader

Líderes dos partidos aliados e alguns integrantes do governo iniciaram nesta quarta-feira articulação para fazer um acordo entre PMDB, PSDB e PFL com o objetivo de evitar um processo de cassação dos senadores José Roberto Arruda (PSDB-DF), Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Jader Barbalho (PMDB-PA). Essa iniciativa também tem como objetivo neutralizar a criação da CPI da Corrupção, que paralisaria o governo e o Congresso. Ainda não existe uma ordem expressa do Palácio do Planalto para colocar em marcha essa estratégia. "Mas também não houve uma proibição de colocar o plano em prática, pelo contrário", explicou um senador tucano. A maior resistência ainda é de ACM. Questionado nesta quarta-feira por um tucano se já não era hora de um acordo, ACM deu demonstrações de que ainda tem restrições ao acordo com Jader. "Como eu posso fazer uma trégua, se o próprio presidente Fernando Henrique diz que o caso é gravíssimo", explicou ACM para o tucano, colocando mais um problema para o acordo. Em compensação, o próprio Jader Barbalho deu demonstrações de que estava na hora de fazer um pacto. "Precisamos acabar com isso", desabafou Jader com um senador aliado. "Não agüento mais", reforçou. Já o senador José Roberto Arruda chegou a chorar com outro senador, no cafezinho do Senado, logo depois de seu discurso. "Me ajude!", pediu Arruda. Uma prova de que a tentativa de acordo para evitar a cassação dos três senadores está sendo colocada em prática foi a permanência provisória de Arruda no cargo de líder do governo. A manutenção dele na liderança foi decidida em reunião de quase duas no gabinete do presidente do Senado, Jader Barbalho, e comunicada, por telefone, ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Depois de uma longa discussão sobre o clima envolvendo senadores aliados, concluiu-se que a saída de Arruda, mesmo temporária, serviria para abrir precedentes. "Qualquer pessoa atingida por denúncias teria que deixar o cargo", disse um parlamentar que participou da reunião, preocupado com o "efeito dominó" da atitude de Arruda. O próprio Jader, que está sendo acusado de ser sócio de um fraudador da Sudam, seria alvo de pressões. Reservadamente, quase metade dos senadores defende o seu afastamento da Presidência do Senado, enquanto as denúncias são investigadas. A decisão de manter Arruda na liderança incomodou os próprios integrantes do Palácio do Planalto, que acham que isso pode prejudicar a imagem do governo e do próprio presidente, por ter aceito a permanência de um líder que está sob suspeita. Outra constatação de que existe um entendimento entre os partidos aliados foi o "pré-acordo" estabelecido por Jader, para a condução das investigações de denúncias de violação do painel eletrônico. A senha do entendimento foi dada pelo presidente do Senado, que decidiu dividir as investigações entre a Corregedoria e o Conselho de Ética do Senado. Nesta quarta-feira à noite, a assessoria de Jader informou que só deve entregar nesta quinta a documentação que havia prometido na segunda-feira, para comprovar a sua sociedade com o empresário José Osmar Borges, preso por fraudar a Sudam. Com isso, Jader ganhou mais um dia. Ele havia prometido entregar na terça-feira a declaração de Imposto de Renda de sua esposa, registrando a sociedade feita com Borges em 1996, a declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica da fazenda de sua propriedade, documentos do Incra que comprovariam a invasão das terras da agropecuária, provocando sua desvalorização, e a origem dos recursos usados pelo senador para a aquisição da agropecuária.

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