Governistas proíbem fala de especialista sobre apagão

O professor Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, criticou a posição adotada por alguns parlamentares da base governista que votaram, no início da audiência pública conjunta da Comissão de Infra-Estrutura do Senado e Comissão Mista Especial da Crise de Energia, a favor de serem ouvidos na comissão apenas o presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia, ministro Pedro Parente, e o ministro de Minas e Energia, José Jorge. "É lamentável o que o Congresso tenha adotado a lei do silêncio, e que parlamentares da base governista tenham votado para impedir que nós, professores, falássemos durante a audiência pública", afirmou Pinguelli Rosa, ao deixar o Congresso Nacional.Ele e outros acadêmicos foram convidados pela Comissão de Infra-Estrutura a participar de um debate sobre a crise energética. "Nunca vi isso, nem na ditadura", criticou Pinguelli. Ele afirmou que está claro que são grandes as possibilidades de implementação, também nos anos de 2002 e 2003, de programas de racionamento de energia no País. Na avaliação do professor da UFRJ, o Programa Estratégico e Emergencial de Aumento de Geração de Energia, apresentado pelo ministro José Jorge na audiência pública, permitirá aumento da capacidade de geração do País somente ao final de 2003. "Os anos de 2003 e 2004 ainda serão muito difíceis para a população", previu. Pinguelli Rosa criticou o governo por ainda trabalhar com a expectativa de média de chuvas nos próximos meses. "Média de chuva não pode ser considerada como expectativa, isso é um absurdo estatístico", afirmou o professor.

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