Governistas marcam presença no congresso de estudantes

Tradicional reduto da oposição de esquerda no País, o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) - o 48º, o primeiro após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ? virou palco para políticos governistas. Neste sábado, foi o líder do governo na Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), quem discursou em defesa de Lula, durante ato oficial da entidade com a presença de representantes de diversos partidos e movimentos sociais.O PCO (Partido da Causa Operária), que pregou voto nulo no segundo turno das eleições no ano passado, não teve lugar à mesa nem pôde usar a tribuna. A UNE convidou para o ato o presidente de honra do PDT, Leonel Brizola - atualmente uma das principais vozes de oposição a Lula -, mas o líder trabalhista não compareceu.Além de Rebelo, estiveram em Goiânia, durante o congresso, o ministros da Educação, Cristovam Buarque; do Esporte, Agnelo Queiroz; e o presidente nacional do PT, José Genoino, que foram vaiados na solenidade de abertura, na quarta-feira. No dia seguinte, Genoino participou de um seminário e foi muito aplaudido.O presidente da UNE, Felipe Maia, admite que a relação da entidade com o governo agora é outra, mas rejeita a imagem de ?chapa-branca?. ?Lula foi eleito com um programa que incorpora reivindicações da UNE?, disse ele, que é filiado ao PC do B. ?Além disso, é aberto ao diálogo com os movimentos sociais, ao contrário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.?O mandato de Maia termina neste domingo, quando será escolhido seu sucessor ? provavelmente outro filiado do PC do B, o estudante de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp) Gustavo Petta, de 22 anos.Rebelo, que presidiu a UNE em 1980, destacou o controle da inflação e a recuperação da confiança externa no País - o que, segundo ele, evitou uma crise econômica semelhante à da Argentina. O presidente nacional do PC do B, Renato Rabelo, defendeu a união dos movimentos sociais em torno de Lula. ?O fracasso do governo Lula é o fracasso da esquerda?, disse.Apesar da ausência de Brizola e da exclusão do PCO, o ato da UNE não teve só aplausos ao governo Lula. O presidente nacional do PSTU, José Maria Almeida, que também faz oposição ao Planalto, defendeu a saída do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e dos ministros do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan e da Agricultura, Roberto Rodrigues, ? que, segundo ele, representam os interesses de banqueiros, industriais e grandes agricultores.

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